Quedas em Idosos: Polifarmácia e Hipotensão Ortostática

ENARE/ENAMED — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 86 anos é levada pela filha à consulta no ambulatório de clínica médica, com queixa de quedas frequentes. A paciente tem diagnóstico prévio de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, depressão, déficit cognitivo leve e constipação intestinal. Está em uso de losartana, hidroclorotiazida, atenolol, metformina, gliclazida, rosuvastatina, escitalopram, donepezila e lactulose. Segundo a filha da paciente, as quedas ocorrem em diversos horários do dia, mais frequentemente na madrugada, ao se levantar para ir ao banheiro. Ao exame físico, a idosa apresenta leve bradipsiquismo e sinais de sarcopenia; pressão arterial do membro superior direito de 138 x 92 mmHg, quando deitada, e 110 x 70 mmHg, quando sentada. O plano terapêutico apropriado ao contexto desse caso deve incluir

Alternativas

  1. A) sugerir avaliação oftalmológica para investigação de catarata.
  2. B) encaminhar ao neurologista para investigar a presença de disautonomia.
  3. C) rever a polifarmácia para reduzir fármacos indutores de hipotensão arterial.
  4. D) adicionar fármaco capaz de elevar os níveis tensionais, como a fludrocortisona.

Pérola Clínica

Idoso com quedas frequentes e polifarmácia → Investigar hipotensão ortostática e desprescrever fármacos indutores de hipotensão.

Resumo-Chave

Quedas em idosos são multifatoriais, mas a polifarmácia é um fator de risco modificável crucial; a hipotensão ortostática, frequentemente induzida por medicamentos, é uma causa comum de quedas, especialmente noturnas. A revisão da medicação e a desprescrição são intervenções prioritárias.

Contexto Educacional

As quedas em idosos representam um grave problema de saúde pública, com alta morbimortalidade. A etiologia é multifatorial, envolvendo fatores intrínsecos (doenças crônicas, déficits sensoriais, sarcopenia, disfunção cognitiva) e extrínsecos (ambiente, polifarmácia). A polifarmácia, definida pelo uso de cinco ou mais medicamentos, é um dos principais fatores de risco modificáveis, pois aumenta a chance de interações medicamentosas e efeitos adversos. Neste cenário, a hipotensão ortostática é uma condição comum e perigosa, caracterizada por uma queda significativa da pressão arterial ao mudar da posição deitada para sentada ou em pé, levando a tontura, síncope e quedas. Muitos medicamentos, como anti-hipertensivos (losartana, hidroclorotiazida, atenolol), diuréticos e alguns psicotrópicos (escitalopram), podem induzir ou agravar a hipotensão ortostática. O manejo de idosos com quedas frequentes deve incluir uma avaliação geriátrica abrangente, com foco na revisão da medicação. A desprescrição de fármacos desnecessários ou que contribuem para o risco de quedas é uma intervenção de alta prioridade, visando otimizar o regime terapêutico e melhorar a segurança do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de quedas em idosos com polifarmácia?

A polifarmácia pode levar a efeitos adversos como hipotensão ortostática, sedação e tontura, aumentando significativamente o risco de quedas.

Como identificar a hipotensão ortostática em idosos?

Medir a pressão arterial em decúbito e após 1 e 3 minutos em ortostatismo; uma queda de PAS >= 20 mmHg ou PAD >= 10 mmHg é diagnóstica.

Quais classes de medicamentos são mais associadas a quedas em idosos?

Anti-hipertensivos, diuréticos, psicotrópicos (benzodiazepínicos, antidepressivos), hipoglicemiantes e relaxantes musculares.

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