Polifarmácia em Idosos: Riscos e Abordagem Clínica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

O uso excessivo de medicamentos constitui risco à saúde de pessoas mais idosas com comorbidades crescentes, sendo provavelmente mais ameaçador do que as doenças para as quais os fármacos são prescritos. Sobre a abordagem da polifarmácia, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) os fármacos para problemas cardiovasculares fazem parte da lista de drogas que podem aumentar o risco de reações adversas aos medicamentos em idosos.
  2. B) existem fortes evidências para os benefícios da suspensão ativa de sinvastatina na prevenção de AVC em idosos, podendo ser retirada abruptamente.
  3. C) as prescrições em cascata também levam a polifarmácia a ser desnecessária, como o uso concomitante de omeprazol para os pacientes em tratamento com tiazidas.
  4. D) algumas condições podem estar associadas ao risco de reações adversas aos medicamentos em idosos, como a insuficiência cardíaca, a osteoartrose, o hipotireoidismo e a demência.

Pérola Clínica

Polifarmácia em idosos ↑ risco RAMs; fármacos cardiovasculares são frequentes culpados.

Resumo-Chave

A polifarmácia em idosos é um desafio clínico, aumentando o risco de reações adversas a medicamentos (RAMs). Fármacos cardiovasculares, devido à alta prevalência de doenças cardíacas na população idosa, são frequentemente associados a RAMs.

Contexto Educacional

A polifarmácia, definida como o uso concomitante de múltiplos medicamentos, é uma realidade crescente na população idosa, impulsionada pelo aumento da expectativa de vida e da prevalência de comorbidades. Embora essencial para o manejo de doenças crônicas, a polifarmácia em idosos eleva significativamente o risco de reações adversas a medicamentos (RAMs), interações medicamentosas, hospitalizações e piora da qualidade de vida. As alterações fisiológicas do envelhecimento, como diminuição da função renal e hepática, redução da massa muscular e aumento da gordura corporal, alteram a farmacocinética e farmacodinâmica dos fármacos, tornando os idosos mais vulneráveis. Medicamentos para problemas cardiovasculares, como anti-hipertensivos, diuréticos e anticoagulantes, são frequentemente prescritos e, devido à sua potência e interações, contribuem substancialmente para o risco de RAMs. A abordagem da polifarmácia requer uma revisão sistemática da medicação, considerando a "desprescrição" de fármacos desnecessários ou inapropriados. É crucial avaliar a relação risco-benefício de cada medicamento, os objetivos de cuidado do paciente e a presença de síndromes geriátricas. A "prescrição em cascata", onde um novo medicamento é adicionado para tratar um efeito adverso de outro, deve ser evitada.

Perguntas Frequentes

O que é polifarmácia e por que é um problema em idosos?

Polifarmácia é o uso de múltiplos medicamentos (geralmente 5 ou mais) por um paciente. Em idosos, é um problema devido às alterações fisiológicas do envelhecimento que afetam a farmacocinética e farmacodinâmica, aumentando o risco de interações medicamentosas e reações adversas.

Quais classes de medicamentos são frequentemente associadas a reações adversas em idosos?

Medicamentos cardiovasculares (anti-hipertensivos, diuréticos, anticoagulantes), psicotrópicos (benzodiazepínicos, antidepressivos), analgésicos (opioides, AINEs) e anticolinérgicos são frequentemente associados a reações adversas em idosos devido à sua ampla utilização e perfis de segurança.

O que é "desprescrição" e quando deve ser considerada?

Desprescrição é o processo de retirada supervisionada de medicamentos potencialmente inapropriados ou desnecessários. Deve ser considerada em idosos com polifarmácia, alto risco de RAMs, objetivos de cuidado que mudaram ou quando os benefícios do medicamento não superam os riscos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo