Polifarmácia no Idoso: Estratégias de Manejo e Desprescrição

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026

Enunciado

Catarina, 72 anos, é uma senhora portadora de insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida, com histórico de infarto agudo do miocárdio há dois anos. Possui também diabetes mellitus tipo 2 insulino-requerente. Ela comparece à consulta médica com receituário que contém nove medicações: Sacubitril/Valsartana, Bisoprolol, Dapaglifozina, Furosemida, Espironolactona, AAS, Atorvastatina, Insulina NPH e Insulina Regular. Sobre o manejo da polifarmácia desta paciente, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Considerando que a prescrição de cinco fármacos já configura polifarmácia, ao menos cinco das medicações citadas deverão ser suspensas.
  2. B) Todas as medicações estão bem indicadas para as doenças da paciente, logo, não há risco de eventos adversos por interação medicamentosa.
  3. C) A decisão pela desprescrição é técnica e não precisa ser discutida com a paciente.
  4. D) A existência de polifarmácia não necessariamente contraindica a prescrição de novas medicações.

Pérola Clínica

Polifarmácia ≠ Erro. O foco deve ser a indicação clínica e o risco de interações, não apenas o número de drogas.

Resumo-Chave

A polifarmácia é frequentemente necessária em pacientes complexos. O manejo envolve a revisão constante para evitar iatrogenia, sem contraindicar novas terapias essenciais.

Contexto Educacional

A polifarmácia é um desafio crescente devido ao envelhecimento populacional e à prevalência de multimorbidades. No caso de pacientes com Insuficiência Cardíaca de Fração de Ejeção Reduzida (ICFEr), as diretrizes atuais exigem o uso do 'quarteto fantástico' (Sacubitril/Valsartana, Betabloqueador, Espironolactona e iSGLT2), o que por si só já aproxima o paciente da definição de polifarmácia. A gestão clínica deve focar na 'conciliação medicamentosa' em cada transição de cuidado e na avaliação da carga anticolinérgica e sedativa. A decisão de adicionar ou remover um fármaco deve ser técnica, mas sempre discutida com o paciente e seus cuidadores, respeitando as metas de cuidado e a expectativa de vida.

Perguntas Frequentes

O que define tecnicamente a polifarmácia?

Embora a definição varie, a mais aceita é o uso concomitante de 5 ou mais medicamentos. No entanto, o conceito de 'polifarmácia apropriada' reconhece que, para pacientes com múltiplas condições crônicas (como IC, DM e HAS), o uso de múltiplos fármacos baseados em evidências é necessário para otimizar a sobrevida e qualidade de vida.

Como realizar uma desprescrição segura?

A desprescrição deve ser um processo planejado que envolve: 1. Revisar todos os medicamentos; 2. Identificar drogas sem indicação clara ou com risco > benefício (usando Critérios de Beers ou STOPP/START); 3. Priorizar a suspensão; 4. Reduzir a dose gradualmente; 5. Monitorar sintomas de abstinência ou recorrência da doença.

Quais os principais riscos da polifarmácia em idosos?

Os riscos incluem reações adversas a medicamentos (RAM), interações medicamentosas prejudiciais, quedas, declínio cognitivo, hospitalizações e redução da adesão ao tratamento. Em idosos, a farmacocinética alterada (menor depuração renal e hepática) potencializa esses riscos.

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