CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2017
O cuidado médico se baseia em um imperativo terapêutico: Diagnosticar a doença e oferecer tratamento farmacológico ou alternativos. Apesar da idade avançada ser um fator de risco para comorbidades, uma pessoa jovem com múltiplas doenças também pode sofrer com os efeitos prejudiciais da polifarmácia. Neste sentido o desafio na atualidade é compreender a polifarmácia em suas origens e desencadeantes ao nível da população, das políticas públicas e dos profissionais e, consequentemente, desenvolver uma abordagem minimamente disruptiva para o cuidado clínico da pessoa enferma. Sobre a conduta em polifarmácia na atenção básica, analise as afirmativas abaixo.I. Revisar com regularidade as medicações em uso, sob o ponto de vista explicito de minimizar o número de medicamentos não traz benéficos globais de saúde, sobretudo em populações idosas.II. Dentre as abordagens para a polifarmácia, está o uso de lista de “fármacos a serem evitados”, como a lista Beers, os critérios McLeod e o IPET, mas, há limitações para essa abordagem, pois essas listas são derivadas de consensos e a inclusão e exclusão de determinados fármacos pode ser um pouco ad hoc.III. Existe boas evidências a partir de vários ensaios clínicos sobre melhores desfechos de saúde quando se considera a abordagem para a redução de medicamentos no manejo da polifarmácia.IV. O imperativo comercial das companhias farmacêuticas em maximizar os lucros oferecendo mais fármacos para mais pessoas, acaba por expandir a definição de doença para aqueles que se sentem bem, contribuindo para elevar a carga de medicamentos entre idosos e de modo crescente em outras faixas etárias. A alternativa que contém todas as afirmativas corretas é:
Polifarmácia: Revisar medicamentos regularmente e usar listas de fármacos a serem evitados (Beers, McLeod, IPET) são abordagens válidas, com evidências de melhores desfechos.
A polifarmácia é um desafio crescente, especialmente em idosos, mas também em jovens com múltiplas comorbidades. A revisão regular dos medicamentos e a desprescrição, guiadas por ferramentas como a lista Beers, são estratégias eficazes para minimizar riscos e melhorar desfechos, apesar das limitações dessas listas. O imperativo comercial da indústria farmacêutica também contribui para a elevação da carga medicamentosa.
A polifarmácia, definida como o uso de múltiplos medicamentos, é um fenômeno crescente na prática clínica, especialmente em populações idosas e em pacientes com múltiplas comorbidades. Embora a idade avançada seja um fator de risco, indivíduos mais jovens com doenças crônicas também podem ser afetados. A polifarmácia está associada a um aumento significativo de eventos adversos, interações medicamentosas, hospitalizações e piora da qualidade de vida, representando um desafio complexo na atenção à saúde. O cuidado médico atual exige uma abordagem mais holística e menos focada apenas na prescrição de novos fármacos para cada sintoma ou condição. O manejo da polifarmácia na atenção básica envolve uma revisão regular e sistemática das medicações em uso, com o objetivo explícito de minimizar o número de fármacos desnecessários ou inapropriados. Abordagens como o uso de listas de 'fármacos a serem evitados', como os Critérios de Beers, McLeod e IPET, são ferramentas valiosas, apesar de suas limitações por serem baseadas em consensos. Existem boas evidências a partir de ensaios clínicos que demonstram melhores desfechos de saúde quando a desprescrição é implementada de forma adequada. Além disso, é importante reconhecer o papel do imperativo comercial da indústria farmacêutica, que muitas vezes expande a definição de doença, contribuindo para a medicalização excessiva e o aumento da carga medicamentosa. Para o residente, compreender a polifarmácia é essencial para uma prática clínica segura e eficaz. A capacidade de realizar uma revisão medicamentosa crítica, identificar medicamentos potencialmente inapropriados e iniciar um processo de desprescrição, quando indicado, é uma competência fundamental. Isso requer uma comunicação eficaz com o paciente e seus cuidadores, além de uma compreensão aprofundada da farmacologia e das condições clínicas subjacentes, sempre visando o melhor equilíbrio entre os benefícios e os riscos dos tratamentos.
Polifarmácia é o uso concomitante de múltiplos medicamentos, geralmente cinco ou mais. Seus principais riscos incluem interações medicamentosas, eventos adversos, síndromes geriátricas, hospitalizações, aumento de custos e menor adesão ao tratamento, impactando negativamente a qualidade de vida do paciente.
Ferramentas como a lista de Critérios de Beers (para idosos), os Critérios de McLeod e o Índice de Potencial de Exposição a Tratamentos (IPET) são úteis para identificar medicamentos potencialmente inapropriados. Embora baseadas em consenso, elas servem como guias importantes para a revisão medicamentosa e desprescrição.
A desprescrição, quando realizada de forma criteriosa e individualizada, com acompanhamento médico, é frequentemente benéfica. Ela visa reduzir a carga medicamentosa, minimizar riscos de eventos adversos e interações, e melhorar a qualidade de vida, especialmente em pacientes idosos ou com múltiplas comorbidades. No entanto, deve ser um processo colaborativo e bem planejado.
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