Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2025
Gestante de 45 anos, apresenta ultrassom obstétrico evidenciando feto de 29 semanas com conteúdo gástrico aumentado e índice de líquido amniótico de 32 cm. Neste caso a situação que não deve ser pensada é:
Polidrâmnio (ILA > 25) + sinal da dupla bolha → pensar em atresia duodenal e trissomias; afasta causas de oligoidrâmnio como anomalias renais.
O líquido amniótico é mantido pelo equilíbrio entre a produção (urina fetal) e a reabsorção (deglutição fetal). Condições que impedem a deglutição, como a atresia duodenal, causam polidrâmnio. Em contraste, anomalias renais como a hipoplasia levam à diminuição da produção de urina e, consequentemente, ao oligoidrâmnio.
O polidrâmnio é definido como o excesso de líquido amniótico, diagnosticado por ultrassonografia quando o Índice de Líquido Amniótico (ILA) é superior a 25 cm ou o maior bolsão vertical é maior que 8 cm. Essa condição é importante pois pode estar associada a desfechos perinatais adversos e a anomalias maternas ou fetais. A fisiologia do líquido amniótico no segundo e terceiro trimestres depende de um equilíbrio entre a produção, principalmente pela urina fetal, e a remoção, principalmente pela deglutição fetal. Portanto, o diagnóstico diferencial do polidrâmnio se baseia em condições que aumentam a produção ou diminuem a remoção. Causas comuns incluem diabetes mellitus materno, gestação múltipla, e anomalias fetais que dificultam a deglutição, como anencefalia e obstruções do trato gastrointestinal (ex: atresia de esôfago ou duodeno). No caso apresentado, os achados de ILA de 32 cm e conteúdo gástrico aumentado são altamente sugestivos de uma obstrução gastrointestinal alta, como a atresia duodenal. Esta condição, por sua vez, tem forte associação com trissomias, especialmente a do cromossomo 21. Em contrapartida, a hipoplasia renal ou qualquer outra malformação do trato urinário fetal levaria a uma diminuição da produção de urina, resultando em oligoidrâmnio (escassez de líquido amniótico), e não polidrâmnio. Portanto, a hipoplasia renal não deve ser considerada no diagnóstico diferencial deste quadro.
O principal achado é o 'sinal da dupla bolha', que representa a distensão do estômago e do duodeno proximal, separados pelo piloro. Este sinal é frequentemente associado ao polidrâmnio devido à incapacidade de deglutição e absorção do líquido amniótico pelo feto.
A conduta envolve o aconselhamento genético e a investigação de anomalias associadas, como trissomias (cariótipo fetal) e malformações cardíacas (ecocardiograma fetal). O parto deve ser planejado em um centro terciário com suporte de cirurgia pediátrica.
Causas maternas incluem diabetes mellitus descompensado e isoimunização Rh. Causas fetais incluem anomalias do SNC (anencefalia), do trato gastrointestinal (atresias), síndromes genéticas e tumores. A investigação deve abranger ambos os compartimentos.
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