UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020
CONSIDERE O CASO CLÍNICO A SEGUIR PARA RESPONDER Á QUESTÃO.Criança de 2 anos com queixa de aumento da ingestão de água de forma compulsiva e poliúria de início há 4 dias. Há 24 horas, iniciou com letargia, anorexia e vômitos. Mãe refere que a criança é previamente hígida e sem outras queixar atuais. Ao exame, a criança apresenta-se sonolenta, responsiva ao comendo verbal, hidratada, com auscultas cardíaca e pulmonar normais, PA 92 x 58 mmHg (P50 – 93 x 50 mmHg) / P90 – 107 x 65 mmHg / P95 112 x 70 mmHg). Exames séricos: Hb 12,5 Ht 38; Leuc 12.000 B1 S50 L40 M9; plaq 278.000; Ur 26 mg/dl; Cr 0,7 mg/dl; Na 129 mEq/L; K 4,0 mEq/L; Ca 9 mEq/L; Mg 1,9 mEq/L; Osmolalidade 90 (referência 280 e 295 mOsm/kg H²O); Na urinário 12 (referência 15 a 20 mEq/L).Qual o diagnóstico para esse caso?
Criança com poliúria/polidipsia, hiponatremia, osmolalidade sérica ↓, osmolalidade urinária ↓ e Na urinário ↓ → Polidipsia primária.
A polidipsia primária é caracterizada pela ingestão excessiva de água, levando à diluição do plasma e hiponatremia. Os achados laboratoriais típicos incluem osmolalidade sérica e urinária baixas, com sódio urinário também baixo, refletindo a tentativa renal de reter sódio e excretar o excesso de água. A história de polidipsia compulsiva é crucial para o diagnóstico.
A polidipsia primária, também conhecida como polidipsia psicogênica ou potomania, é uma condição caracterizada pela ingestão excessiva e compulsiva de líquidos, não justificada por uma necessidade fisiológica. É mais comum em adultos com distúrbios psiquiátricos, mas pode ocorrer em crianças, levando a poliúria e distúrbios hidroeletrolíticos, principalmente hiponatremia dilucional. O reconhecimento é crucial para evitar tratamentos desnecessários para outras causas de poliúria. A fisiopatologia envolve a supressão da secreção de vasopressina (ADH) devido à baixa osmolalidade sérica causada pela ingestão excessiva de água. Isso resulta na excreção de uma urina diluída e na incapacidade de concentrar a urina, levando à poliúria. O diagnóstico é baseado na história clínica de ingestão excessiva de líquidos e nos achados laboratoriais de hiponatremia, baixa osmolalidade sérica e urinária, e sódio urinário baixo. É essencial diferenciar de outras causas de poliúria, como diabetes insipidus central ou nefrogênico. O tratamento da polidipsia primária foca na restrição hídrica e, se houver uma causa psiquiátrica subjacente, no seu manejo. A correção da hiponatremia deve ser gradual para evitar a síndrome de desmielinização osmótica. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas a adesão à restrição hídrica pode ser um desafio. Residentes devem estar atentos aos padrões de ingestão de líquidos e aos exames laboratoriais para um diagnóstico preciso e manejo seguro.
Na polidipsia primária, os achados laboratoriais incluem hiponatremia (Na sérico baixo), osmolalidade sérica baixa (devido à diluição), osmolalidade urinária também baixa (o rim tenta excretar o excesso de água) e sódio urinário baixo, pois o rim está retendo sódio para compensar a diluição.
A polidipsia primária se diferencia do diabetes insipidus pela osmolalidade sérica e urinária. Na polidipsia primária, a osmolalidade sérica é baixa e a urinária também é baixa, mas o rim é capaz de concentrar a urina se houver restrição hídrica. No diabetes insipidus, a osmolalidade sérica é normal ou alta, e a urinária é persistentemente baixa, mesmo com restrição hídrica, devido à deficiência ou resistência à vasopressina.
O teste de restrição hídrica é fundamental para diferenciar a polidipsia primária do diabetes insipidus. Em pacientes com polidipsia primária, a restrição hídrica leva a um aumento significativo da osmolalidade urinária, pois o rim é capaz de concentrar a urina. No diabetes insipidus, a osmolalidade urinária permanece baixa, mesmo após a restrição hídrica.
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