Policondrite Recidivante: Sinais e Diagnóstico Clínico

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Homem, branco, quarta década, refere vertigem acompanhada de perda auditiva, artrite assimétrica de pequenas, médias e grandes articulações com resolução espontânea; orelha eritematosa, edemaciada e hipersensível poupando seu lóbulo. Evoluiu com rinorreia, obstrução nasal, epistaxe, deformidade do nariz em sela e dispneia por traqueomalácia, com colapso traqueal. A hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) policondrite recidivante
  2. B) leishmaniose
  3. C) granulomatose com poliangeite
  4. D) granulomatose eosinofílica com poliangeite

Pérola Clínica

Policondrite Recidivante = inflamação cartilaginosa sistêmica → condrite auricular (poupa lóbulo), nariz em sela, traqueomalácia, artrite, sintomas vestibulares/auditivos.

Resumo-Chave

A Policondrite Recidivante é uma doença autoimune rara caracterizada pela inflamação e destruição da cartilagem em várias partes do corpo. A apresentação clássica inclui condrite auricular (com preservação do lóbulo), condrite nasal (levando a nariz em sela), traqueomalácia e envolvimento articular, ocular e vestibular, com resolução espontânea da artrite.

Contexto Educacional

A Policondrite Recidivante é uma doença inflamatória crônica rara, de etiologia autoimune, caracterizada por episódios recorrentes de inflamação e destruição da cartilagem em várias partes do corpo. Afeta igualmente homens e mulheres, geralmente na quarta a sexta décadas de vida, e pode levar a deformidades significativas e disfunção orgânica, com potencial de mortalidade. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune contra componentes da cartilagem, como o colágeno tipo II. As manifestações clínicas são diversas e incluem condrite auricular (com eritema, edema e dor que poupa o lóbulo), condrite nasal (levando à deformidade em sela), artrite assimétrica não erosiva, inflamação ocular (epiesclerite, esclerite), e envolvimento vestíbulo-auditivo (vertigem, perda auditiva). O envolvimento traqueobrônquico, com traqueomalácia e colapso traqueal, é uma complicação grave e potencialmente fatal. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos critérios de McAdam ou Michet. O tratamento visa controlar a inflamação e prevenir danos permanentes, sendo os corticosteroides a terapia de primeira linha. Imunossupressores como metotrexato, azatioprina ou ciclosporina são frequentemente utilizados como poupadores de corticoides ou em casos refratários. O manejo das complicações respiratórias pode exigir intervenções cirúrgicas, como a colocação de stents ou traqueostomia. O prognóstico é variável e depende da extensão e gravidade do envolvimento orgânico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para policondrite recidivante?

Os critérios diagnósticos incluem condrite bilateral da orelha, poliartrite não erosiva, condrite nasal, inflamação ocular, condrite laríngea/traqueal e disfunção vestíbulo-auditiva. O diagnóstico é feito pela presença de três ou mais desses critérios ou um critério com biópsia positiva.

Por que a policondrite recidivante poupa o lóbulo da orelha?

A policondrite recidivante poupa o lóbulo da orelha porque o lóbulo é composto principalmente por tecido adiposo e fibroso, e não por cartilagem elástica, que é o alvo da inflamação autoimune na doença.

Quais são as complicações respiratórias da policondrite recidivante?

As complicações respiratórias são graves e incluem condrite laríngea e traqueobrônquica, levando a estenose subglótica, traqueomalácia e colapso traqueal. Isso pode causar dispneia, estridor e, em casos graves, insuficiência respiratória com necessidade de traqueostomia.

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