HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022
Homem, 65 anos, tabagista, com histórico de cardiopatia isquêmica, apresentou, em exames de rotina, os seguintes resultados: eritrócitos 7,6x10¹²/L, hemoglobina 18,9 g/dL, hematócrito 61%, VCM 76 fl, HCM 24 pg, leucócitos 13,2x10⁹/L com diferencial normal, plaquetas 220x10⁹ e eritropoietina sérica reduzida. A principal hipótese diagnóstica é de um caso de policitemia
Policitemia + EPO ↓ + leucócitos/plaquetas normais/elevados = Policitemia Vera → Pesquisar JAK2.
Um paciente com policitemia (Hb 18,9 g/dL, Ht 61%) e níveis de eritropoetina sérica reduzidos, associado a leucócitos e plaquetas normais ou levemente aumentados, sugere fortemente Policitemia Vera. A eritropoetina baixa é um achado chave que a diferencia das policitemias secundárias, onde a EPO estaria elevada. O diagnóstico é confirmado pela pesquisa da mutação JAK2 ou biópsia de medula óssea.
A policitemia, ou eritrocitose, é caracterizada por um aumento anormal da massa de glóbulos vermelhos, refletido por níveis elevados de hemoglobina e hematócrito. É fundamental diferenciar a policitemia vera (PV), uma neoplasia mieloproliferativa crônica, das policitemias secundárias, que são reativas a outras condições. A PV é uma doença clonal da medula óssea que resulta na produção excessiva de todas as linhagens mieloides, mas predominantemente de eritrócitos, de forma independente da eritropoetina. O diagnóstico da Policitemia Vera baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e moleculares. Os achados laboratoriais chave incluem hemoglobina e hematócrito elevados, frequentemente acompanhados de leucocitose e/ou trombocitose (embora no caso apresentado, leucócitos e plaquetas estejam normais, o que não exclui PV). Um dos achados mais importantes e distintivos é a eritropoetina sérica reduzida ou subnormal, pois na PV, a medula óssea produz eritrócitos de forma autônoma, suprimindo a produção endógena de EPO. A presença da mutação JAK2 V617F é um marcador molecular crucial, encontrado em aproximadamente 95% dos pacientes com PV, e é um critério diagnóstico maior. A biópsia de medula óssea, mostrando hipercelularidade para a idade com proliferação de todas as três linhagens mieloides, também é um critério importante. Em contraste, as policitemias secundárias (como as causadas por hipoxemia crônica em tabagistas ou cardiopatas) teriam níveis elevados de eritropoetina, pois a produção de eritrócitos é uma resposta fisiológica à falta de oxigênio. Portanto, a combinação de policitemia e EPO baixa direciona fortemente para o diagnóstico de Policitemia Vera.
Os critérios maiores incluem hemoglobina elevada (homens >16.5 g/dL, mulheres >16.0 g/dL) ou hematócrito (>49% homens, >48% mulheres), biópsia de medula óssea com hipercelularidade para idade e mutação JAK2. Um critério menor é a eritropoetina sérica subnormal.
Na Policitemia Vera, a eritropoetina sérica é tipicamente baixa ou indetectável, pois a produção de eritrócitos é autônoma. Em policitemias secundárias (por hipóxia, tumores produtores de EPO), a eritropoetina sérica estaria elevada.
A mutação JAK2 V617F está presente em cerca de 95% dos pacientes com Policitemia Vera e é um critério diagnóstico maior. Sua presença indica uma proliferação clonal das células mieloides, característica da doença.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo