UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Uma jovem com policitemia vera foi submetida à esplenectomia por videolaparoscopia. No pós-operatório, evoluiu com infarto agudo do miocárdio. A provável causa dessa complicação consiste em:
Policitemia vera + esplenectomia → risco ↑ de trombocitose e eventos trombóticos.
A policitemia vera é uma doença mieloproliferativa que cursa com aumento da produção de todas as linhagens celulares, incluindo plaquetas. A esplenectomia, ao remover o principal órgão de sequestro e destruição de plaquetas, pode exacerbar a trombocitose, aumentando significativamente o risco de eventos trombóticos, como o infarto agudo do miocárdio.
A policitemia vera (PV) é uma neoplasia mieloproliferativa crônica caracterizada pela superprodução de eritrócitos, leucócitos e plaquetas, resultando em hiperviscosidade sanguínea e um alto risco de eventos trombóticos. A esplenectomia, embora não seja o tratamento primário para a PV, pode ser realizada em casos de esplenomegalia sintomática, infartos esplênicos recorrentes ou citopenias refratárias. No entanto, a remoção do baço tem uma implicação importante na hemostasia. O baço desempenha um papel crucial no sequestro e na destruição de plaquetas. Após a esplenectomia, a ausência desse órgão leva a um aumento na contagem de plaquetas circulantes, uma condição conhecida como trombocitose pós-esplenectomia. Em pacientes com policitemia vera, que já apresentam uma tendência à trombocitose devido à sua doença de base, a esplenectomia pode exacerbar drasticamente essa condição, elevando a contagem plaquetária a níveis perigosamente altos. Essa trombocitose acentuada aumenta significativamente o risco de eventos trombóticos, como o infarto agudo do miocárdio, trombose venosa profunda, embolia pulmonar e acidente vascular cerebral, sendo a causa mais provável da complicação descrita na questão. O manejo pós-esplenectomia em pacientes com PV deve incluir monitoramento rigoroso da contagem de plaquetas e, frequentemente, terapia citorredutora e antiplaquetária.
O baço é um órgão importante no sequestro e na destruição de plaquetas. Após a esplenectomia, a remoção desse filtro resulta em um aumento significativo da contagem de plaquetas circulantes, levando à trombocitose, especialmente em pacientes com doenças mieloproliferativas que já têm produção excessiva.
As complicações trombóticas são as mais comuns e graves na policitemia vera, incluindo trombose venosa profunda, embolia pulmonar, trombose de veias esplâncnicas, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio (IAM), devido à hiperviscosidade sanguínea e disfunção plaquetária.
O manejo da trombocitose pós-esplenectomia, especialmente em pacientes com doenças mieloproliferativas, geralmente envolve o uso de agentes citorredutores (como hidroxiureia) para controlar a contagem de plaquetas e terapia antiplaquetária (como aspirina) para reduzir o risco de eventos trombóticos.
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