Policitemia Vera: Diagnóstico e Achados Laboratoriais

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023

Enunciado

Homem, 46 anos, retorna à consulta ambulatorial para resultado de exames após acidente vascular cerebral isquêmico há 5 semanas, com boa evolução da fase aguda. Antecedente pessoal: cirurgia bariátrica há 6 anos, sem acompanhamento ou medicações regulares. Hemoglobina = 14g/dL, VCM = 63fL, hemácias = 7.000.000/µL; leucócitos = 18.000/µL (segmentados 76%, linfócitos 10%, monócitos 5%; eosinófilos 6%, basófilos 3%), plaquetas = 1.450.000/µL. Ferritina: 4ng/mL. Exame físico: baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo. Qual é o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Trombofilia hereditária
  2. B) Traço talassêmico
  3. C) Anemia ferropriva
  4. D) Policitemia Vera

Pérola Clínica

Policitemia Vera: ↑Hb, ↑plaquetas, ↑leucócitos (eosinofilia/basofilia), esplenomegalia, VCM ↓ (deficiência ferro).

Resumo-Chave

A Policitemia Vera (PV) é uma neoplasia mieloproliferativa que cursa com aumento das três linhagens (panmielose), mas predominantemente da série vermelha. A microcitose e ferritina baixa podem ocorrer devido à deficiência de ferro secundária ao aumento da eritropoiese, mesmo com hemoglobina elevada.

Contexto Educacional

A Policitemia Vera (PV) é uma neoplasia mieloproliferativa crônica caracterizada pela produção excessiva de células sanguíneas, predominantemente eritrócitos, mas frequentemente também leucócitos e plaquetas. É uma doença clonal da medula óssea, com a mutação JAK2 V617F presente em mais de 95% dos casos. A importância clínica reside no alto risco de eventos trombóticos (como AVC, trombose venosa profunda) e na progressão para mielofibrose ou leucemia mieloide aguda. O diagnóstico da PV é baseado em critérios da OMS, que incluem hemoglobina ou hematócrito elevados, biópsia de medula óssea com hipercelularidade panmielóide, presença da mutação JAK2 e níveis baixos de eritropoietina. Achados como esplenomegalia, leucocitose com eosinofilia/basofilia e trombocitose são comuns. Curiosamente, a deficiência de ferro pode ocorrer devido ao consumo aumentado para a eritropoiese, levando a microcitose (VCM baixo) e ferritina baixa, o que pode ser um 'distrator' para o diagnóstico de anemia ferropriva isolada. O tratamento visa reduzir a massa eritrocitária (flebotomias), controlar a contagem de plaquetas e leucócitos (hidroxiureia, interferon alfa) e prevenir trombose (aspirina em baixa dose). O prognóstico varia, mas o manejo adequado pode controlar os sintomas e reduzir as complicações, melhorando a qualidade de vida dos pacientes. Residentes devem estar atentos à constelação de achados laboratoriais e clínicos para um diagnóstico precoce e manejo eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Policitemia Vera?

Os critérios diagnósticos para Policitemia Vera incluem hemoglobina elevada (ou hematócrito), biópsia de medula óssea com hipercelularidade panmielóide, presença da mutação JAK2 V617F ou JAK2 exon 12, e níveis séricos de eritropoietina (EPO) baixos. Trombocitose e leucocitose também são achados comuns.

Por que a ferritina pode estar baixa na Policitemia Vera?

A ferritina pode estar baixa na Policitemia Vera devido ao aumento da produção de glóbulos vermelhos, que consome grandes quantidades de ferro. Isso pode levar a uma deficiência relativa de ferro, resultando em microcitose (VCM baixo), mesmo na presença de policitemia.

Qual a relação entre Policitemia Vera e eventos trombóticos como AVC?

A Policitemia Vera aumenta significativamente o risco de eventos trombóticos, como o acidente vascular cerebral (AVC), devido ao aumento da viscosidade sanguínea (pela policitemia) e à disfunção plaquetária e leucocitária. O controle da massa eritrocitária é crucial para reduzir esse risco.

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