PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2022
Pacientes portadores de cardiopatia congênita cianótica com shunt direito-esquerdo frequentemente apresentam policitemia. Os pacientes com policitemia grave (VG >65%) são de maior risco para desenvolver:
Cardiopatia cianótica + policitemia grave (VG >65%) → Risco ↑ de trombose venosa por hiperviscosidade.
A policitemia secundária em cardiopatias cianóticas é uma resposta compensatória à hipoxemia crônica. No entanto, quando grave (hematócrito >65%), o aumento da massa eritrocitária eleva a viscosidade sanguínea, predispondo a eventos tromboembólicos, especialmente trombose venosa.
Pacientes com cardiopatias congênitas cianóticas, caracterizadas por um shunt direito-esquerdo, apresentam hipoxemia crônica devido à mistura de sangue venoso e arterial e à perfusão sistêmica de sangue não oxigenado. Como mecanismo compensatório, o corpo aumenta a produção de glóbulos vermelhos, resultando em policitemia (ou eritrocitose secundária). Embora essa adaptação vise melhorar o transporte de oxigênio, níveis excessivamente altos de hematócrito podem ser prejudiciais. A fisiopatologia da complicação tromboembólica na policitemia grave reside no aumento da viscosidade sanguínea. Um hematócrito acima de 65% eleva drasticamente a viscosidade, o que retarda o fluxo sanguíneo, aumenta o atrito nas paredes dos vasos e predispõe à formação de trombos. Além disso, a policitemia crônica pode estar associada a disfunção plaquetária e deficiências de fatores de coagulação, criando um estado de hipercoagulabilidade e, paradoxalmente, também de sangramento. A trombose venosa, incluindo trombose de seios venosos cerebrais e trombose venosa profunda, é uma complicação grave e frequente da policitemia grave em pacientes cianóticos. O manejo envolve a manutenção de uma hidratação adequada para reduzir a viscosidade sanguínea. A flebotomia terapêutica é uma opção para policitemia sintomática com hematócrito muito elevado, mas deve ser realizada com cautela e reposição volêmica para evitar piora da hipoxemia e da deficiência de ferro.
A policitemia é uma resposta fisiológica à hipoxemia crônica. A baixa saturação de oxigênio estimula a produção de eritropoietina pelos rins, que por sua vez aumenta a produção de glóbulos vermelhos na medula óssea, elevando o hematócrito.
As complicações mais sérias incluem eventos tromboembólicos (trombose venosa, AVC), sangramentos (devido à disfunção plaquetária e deficiência de fatores de coagulação), hiperviscosidade sanguínea com sintomas neurológicos e renais, e gota.
O manejo envolve manter uma hidratação adequada para reduzir a viscosidade sanguínea. A flebotomia terapêutica é considerada apenas em casos de policitemia sintomática grave (hematócrito >65%) e deve ser feita com cautela, pois pode piorar a hipoxemia e a deficiência de ferro.
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