SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023
Recém-nascido termo com 72 horas de vida apresenta icterícia que se iniciou com 36 horas de vida. Em aleitamento materno exclusivo e pesando 3200gramas. Genitora GIPIA0, pré-natal sem intercorrência, classificação sanguínea da mãe O negativo, Coombs indireto negativo e nega antecedente de transfusão sanguínea ou sangramentos. O recém-nascido nasceu bem, pesando 3250 gramas e recebeu todos os procedimentos recomendados em sala de parto. Exame físico: icterícia em face, tronco e membros. A classificação sanguínea do pai é O positivo. Exames laboratoriais: bilirrubina total 16,2mg/dL, bilirrubina indireta 15,8mg/dL, hemoglobina 21,6g/dL, hematócrito 66,7% e reticulócitos 4,8%. A provável causa desta icterícia deve ser
RN com icterícia, Hb/Ht elevados e reticulócitos altos → suspeitar de policitemia como causa de hiperbilirrubinemia indireta.
A policitemia neonatal (Hb > 20 g/dL ou Ht > 65%) pode causar icterícia devido ao aumento da carga de bilirrubina resultante da maior massa de glóbulos vermelhos a serem degradados. Os dados laboratoriais do caso (Hb 21,6, Ht 66,7, reticulócitos 4,8%) são consistentes com policitemia.
A icterícia neonatal é uma condição comum, mas que exige investigação cuidadosa para identificar causas patológicas e prevenir complicações como a encefalopatia bilirrubínica. A hiperbilirrubinemia indireta pode ter diversas etiologias, incluindo hemólise, policitemia, deficiências enzimáticas e problemas de conjugação hepática. A história clínica detalhada, o exame físico e os exames laboratoriais são fundamentais para o diagnóstico diferencial. No caso apresentado, o recém-nascido termo com icterícia que se iniciou após 24 horas de vida, em aleitamento materno exclusivo, e com mãe O negativo e pai O positivo, mas com Coombs indireto negativo, afasta a incompatibilidade Rh. A icterícia do aleitamento materno é um diagnóstico de exclusão e geralmente não cursa com hemólise ou policitemia. Cisto de colédoco e atresia de vias biliares causam hiperbilirrubinemia direta, o que não é o caso aqui (bilirrubina indireta predominante). Os exames laboratoriais são cruciais: hemoglobina de 21,6 g/dL e hematócrito de 66,7% são valores elevados para um recém-nascido, caracterizando policitemia neonatal. A reticulocitose de 4,8% indica uma produção aumentada de glóbulos vermelhos. A policitemia leva a um aumento da massa eritrocitária, resultando em maior degradação de hemácias e, consequentemente, maior produção de bilirrubina, que o fígado imaturo do neonato pode não conseguir conjugar e excretar eficientemente, causando icterícia indireta.
A policitemia neonatal é sugerida por níveis elevados de hemoglobina (geralmente > 20 g/dL) e hematócrito (geralmente > 65%), acompanhados de reticulocitose, indicando uma maior massa de glóbulos vermelhos.
A policitemia aumenta a massa total de glóbulos vermelhos no corpo do recém-nascido. A degradação normal desses eritrócitos resulta em uma produção excessiva de bilirrubina, sobrecarregando a capacidade do fígado imaturo de conjugá-la e excretá-la, levando à hiperbilirrubinemia indireta e icterícia.
A diferenciação é feita pela análise dos exames laboratoriais: na policitemia, há Hb e Ht elevados. Incompatibilidades sanguíneas (Rh, ABO) teriam Coombs direto positivo (se Rh) ou esferócitos e Coombs direto negativo (se ABO). Icterícia do aleitamento materno é um diagnóstico de exclusão, sem hemólise ou policitemia.
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