Policitemia Neonatal: Conduta em Recém-Nascidos Assintomáticos

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascido a termo, filho de diabética, apresenta sucção ativa e adequada ao seio materno com duas horas de vida. Exame físico: ativo, eupnéico, acianótico e pletórico. Exames complementares: glicemia capilar: 52 mg/dl; hematócrito venosocentral: 63%. Neste caso, deve-se indicar:

Alternativas

  1. A) Controle da glicemia.
  2. B) Flush venoso de glicose 10%.
  3. C) Flush venoso de glicose 50%.
  4. D) Exsangüineo transfusão parcial com albumina.
  5. E) Exsangüineo transfusão parcial com salina 0,9%.

Pérola Clínica

RN assintomático com glicemia normal e policitemia limítrofe → controle da glicemia e observação.

Resumo-Chave

Em recém-nascidos de mães diabéticas, a policitemia e a hipoglicemia são comuns. No entanto, um RN ativo, eupnéico, com glicemia de 52 mg/dL (normal) e hematócrito de 63% (policitemia assintomática) não requer intervenções agressivas como exsanguineotransfusão. A conduta inicial é manter o controle glicêmico e observar o RN.

Contexto Educacional

Recém-nascidos de mães diabéticas (RNMD) são um grupo de risco para diversas complicações, incluindo hipoglicemia, policitemia, hiperbilirrubinemia e macrossomia. A policitemia neonatal é definida como um hematócrito venoso central igual ou superior a 65%. Em RNMD, a hiperinsulinemia crônica pode levar a um aumento da eritropoiese, resultando em policitemia. A hiperviscosidade sanguínea associada à policitemia pode causar sintomas como letargia, dificuldade respiratória, cianose, convulsões e trombose. No caso apresentado, o recém-nascido é a termo, filho de mãe diabética, ativo, eupnéico e pletórico. Sua glicemia capilar de 52 mg/dL é considerada normal para um RN de 2 horas de vida, especialmente com sucção ativa e adequada. O hematócrito venoso central de 63% está ligeiramente elevado, mas abaixo do limiar de 65% para policitemia franca e, mais importante, o bebê está assintomático. A conduta para policitemia neonatal depende da presença de sintomas e do nível do hematócrito. Em recém-nascidos assintomáticos com hematócrito entre 60-65%, a conduta inicial é a observação e a manutenção de uma hidratação adequada (geralmente via oral, com aleitamento materno ou fórmula). A exsanguineotransfusão parcial é um procedimento com riscos e é reservada para policitemia sintomática ou com hematócrito muito elevado (>65-70%). Portanto, neste caso, a conduta mais adequada é o controle da glicemia e a observação clínica, sem necessidade de intervenções mais agressivas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de policitemia neonatal?

A policitemia neonatal é diagnosticada quando o hematócrito venoso central é igual ou superior a 65%. É importante que a amostra seja de sangue venoso central, pois amostras capilares podem superestimar o valor em até 5-10%.

Quando a exsanguineotransfusão parcial é indicada para policitemia neonatal?

A exsanguineotransfusão parcial é indicada para recém-nascidos com policitemia sintomática (ex: letargia, dificuldade respiratória, convulsões) ou para aqueles com hematócrito venoso central persistentemente acima de 65-70% (dependendo do protocolo) e que não respondem à hidratação, mesmo que assintomáticos, devido ao risco de hiperviscosidade.

Qual a importância do controle glicêmico em recém-nascidos de mães diabéticas?

Recém-nascidos de mães diabéticas têm maior risco de hipoglicemia devido ao hiperinsulinismo fetal. O controle glicêmico é crucial para prevenir danos neurológicos. No caso, a glicemia de 52 mg/dL é considerada normal para um RN de 2 horas de vida, indicando que a sucção ativa está sendo eficaz.

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