UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022
Masculino, 41 anos, refere hiporexia e adinamia há dois meses, com perda de 10 kg no período. Há um mês apresenta disestesia em pernas, pés e mãos e, na última semana, surgiram lesões ulceradas, com fundo necrótico, em face ântero-lateral de pernas e dorsodos pés. Exames laboratoriais: Hb: 10,1 g/dl, GB: 14.000/mm³ (neut: 10.800; linf: 2.500); plaq: 490.000/mm3; TGO: 98 U/L (N < 37 U/L); TGP: 126 U/L (N < 41 U/L); PCR: 9,6 mg/dl (N < 0,8 mg/dl); HBsAg positivo. Qual seria o melhor diagnóstico para esse paciente?
HBsAg positivo + vasculite sistêmica (neuropatia, úlceras necróticas) + sintomas constitucionais → Poliarterite Nodosa.
A poliarterite nodosa (PAN) é uma vasculite necrotizante de vasos de médio calibre, classicamente associada à infecção crônica pelo vírus da hepatite B (HBsAg positivo). As manifestações incluem sintomas constitucionais, neuropatia periférica e lesões cutâneas isquêmicas/ulceradas, além de envolvimento renal e gastrointestinal.
A poliarterite nodosa (PAN) é uma vasculite necrotizante sistêmica que afeta predominantemente artérias de médio calibre, poupando as arteríolas, vênulas e capilares. É uma condição rara, mas grave, que pode levar a danos orgânicos significativos. O reconhecimento precoce é crucial para o manejo adequado e para evitar complicações. Para residentes de clínica médica e reumatologia, a PAN é um tema importante devido à sua complexidade diagnóstica e terapêutica. A fisiopatologia da PAN envolve a inflamação e necrose da parede vascular, levando à formação de microaneurismas, tromboses e isquemia tecidual. A associação com a infecção crônica pelo vírus da hepatite B (VHB), evidenciada pelo HBsAg positivo, é um achado clássico e de grande valor diagnóstico. As manifestações clínicas são variadas e refletem o acometimento de múltiplos órgãos, incluindo sintomas constitucionais (febre, perda de peso), neuropatia periférica (disestesia, mononeurite múltipla), lesões cutâneas (úlceras, livedo reticular), envolvimento renal (hipertensão, insuficiência renal) e gastrointestinal (dor abdominal, isquemia mesentérica). O diagnóstico da PAN é desafiador e requer alta suspeição clínica. Exames laboratoriais podem mostrar marcadores inflamatórios elevados, anemia, leucocitose e alterações hepáticas. A confirmação é feita por biópsia de tecido afetado ou por angiografia, que pode revelar os característicos microaneurismas. O tratamento geralmente envolve corticosteroides e imunossupressores, com antivirais específicos para os casos associados à hepatite B. A compreensão dessas nuances é vital para a prática clínica e para o sucesso em exames de residência.
A poliarterite nodosa (PAN) manifesta-se com sintomas constitucionais como febre, perda de peso e adinamia. Outras características incluem neuropatia periférica (disestesia, mononeurite múltipla), lesões cutâneas (úlceras, nódulos, livedo reticular), hipertensão arterial, dor abdominal e envolvimento renal. O envolvimento pulmonar é raro.
A poliarterite nodosa tem uma forte associação com a infecção crônica pelo vírus da hepatite B (VHB), sendo o HBsAg positivo encontrado em uma parcela significativa dos pacientes. Nesses casos, a vasculite é mediada por imunocomplexos formados por antígenos virais e anticorpos, que se depositam nas paredes dos vasos sanguíneos, desencadeando a inflamação.
O diagnóstico da PAN é baseado na combinação de achados clínicos, laboratoriais (elevação de PCR, transaminases, leucocitose) e, idealmente, na biópsia de um tecido afetado (pele, músculo, nervo) que revele vasculite necrotizante de artérias de médio calibre. A angiografia pode mostrar microaneurismas e estenoses em vasos viscerais, que são patognomônicos.
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