HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024
Homem de 36 anos queixa-se de dor testicular há 48 horas. Relata, de modo associado, que há 2 meses apresenta perda de peso involuntária de 6 kg, parestesias em mãos e pés e livedo reticular. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 140 x 95 mmHg, sem demais achados anormais. Diante da suspeita de vasculite sistêmica, o exame que deve ser solicitado para contribuir com o diagnóstico, em caso de achados positivos, é
Dor testicular, perda de peso, parestesias e livedo reticular → suspeita de Poliarterite Nodosa (PAN) → Angiografia abdominal para microaneurismas.
A combinação de sintomas sistêmicos (perda de peso, hipertensão), neurológicos (parestesias), cutâneos (livedo reticular) e isquêmicos (dor testicular) em um adulto jovem levanta forte suspeita de vasculite de vasos médios, como a poliarterite nodosa. Nesses casos, a angiografia é um exame chave para identificar as alterações vasculares características.
A Poliarterite Nodosa (PAN) é uma vasculite necrosante sistêmica de vasos de médio calibre, caracterizada por inflamação transmural e necrose fibrinoide, levando à formação de microaneurismas. É uma doença rara, com incidência estimada em 1-2 casos por milhão de habitantes por ano, e afeta predominantemente adultos jovens e de meia-idade. A importância clínica reside na sua natureza multissistêmica e no potencial de lesão grave de órgãos se não for diagnosticada e tratada precocemente. A fisiopatologia da PAN envolve a formação de complexos imunes e ativação do sistema complemento, resultando em inflamação e dano vascular. As manifestações clínicas são variadas e dependem dos órgãos afetados, incluindo sintomas constitucionais (febre, perda de peso), neurológicos (mononeurite múltipla), cutâneos (livedo reticular, nódulos), renais (hipertensão, insuficiência renal), gastrointestinais (dor abdominal, isquemia) e testiculares (dor, orquite). A suspeita deve ser alta em pacientes com múltiplos sintomas inespecíficos e evidência de isquemia em diferentes leitos vasculares. O tratamento da PAN geralmente envolve corticosteroides em altas doses, frequentemente combinados com imunossupressores como ciclofosfamida em casos graves. O prognóstico melhorou significativamente com o advento da terapia imunossupressora, mas a doença ainda pode ser fatal se não tratada. Pontos de atenção incluem o monitoramento de complicações como hipertensão, aneurismas e insuficiência renal, além da necessidade de tratamento prolongado para prevenir recaídas.
A PAN é uma vasculite sistêmica que afeta vasos de médio calibre, manifestando-se com sintomas como febre, perda de peso, mialgia, artralgia, neuropatia periférica (parestesias), livedo reticular, nódulos cutâneos, dor abdominal, hipertensão e envolvimento renal ou testicular.
A angiografia abdominal é crucial porque a PAN frequentemente afeta as artérias renais, mesentéricas e hepáticas, revelando achados característicos como microaneurismas, estenoses e oclusões. Esses achados são altamente sugestivos de PAN e auxiliam no diagnóstico diferencial com outras vasculites.
Os diagnósticos diferenciais incluem outras vasculites sistêmicas (como granulomatose com poliangiite, poliangiite microscópica), vasculite associada a crioglobulinemia, endocardite infecciosa, embolia aterotrombótica e uso de drogas ilícitas (anfetaminas, cocaína) que podem mimetizar a PAN.
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