UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023
Paciente masculino com 52 anos, com Infarto agudo do miocárdio de repetição (IAM com Supra ST), sendo o primeiro em 2019 e o segundo que se repetiu no mesmo ano, 15 dias depois, mesmo com a terapêutica corretamente empregada, e o terceiro em 2022. Não tem comorbidades, fator de risco associado ou mesmo história familiar. Na revisão dos CATEs, foi percebido que não havia placas de ateroma, somente trombos locais e havia irregularidades das coronárias, com presença de microaneurismas.Diante do caso clínico acima, qual sua hipótese diagnóstica?
IAM de repetição sem aterosclerose + microaneurismas coronarianos → suspeitar de Poliarterite Nodosa.
O quadro de infartos agudos do miocárdio de repetição em paciente sem fatores de risco cardiovasculares clássicos, associado à ausência de placas de ateroma e presença de trombos locais e microaneurismas coronarianos na angiografia, é altamente sugestivo de uma vasculite sistêmica, sendo a Poliarterite Nodosa (PAN) a principal hipótese diagnóstica devido ao seu acometimento característico de vasos médios.
A Poliarterite Nodosa (PAN) é uma vasculite necrotizante sistêmica que afeta predominantemente artérias de médio e pequeno calibre, poupando capilares, vênulas e arteríolas. Sua etiologia é desconhecida, mas pode estar associada à infecção por hepatite B. Clinicamente, a PAN pode se manifestar de diversas formas, incluindo febre, perda de peso, mialgia, artralgia, neuropatia periférica, hipertensão arterial e, notavelmente, acometimento renal e gastrointestinal. O caso clínico apresentado, com infartos agudos do miocárdio de repetição em um paciente sem fatores de risco cardiovasculares tradicionais e achados de microaneurismas e trombos coronarianos sem aterosclerose, é altamente sugestivo de PAN. O acometimento coronariano na PAN ocorre pela inflamação da parede vascular, levando à formação de aneurismas que podem trombosar ou romper, causando isquemia miocárdica e infartos. A angiografia é crucial para o diagnóstico, revelando as irregularidades e os microaneurismas característicos. O diagnóstico definitivo da PAN é feito por biópsia de um órgão afetado, que revela inflamação necrotizante da parede arterial. O tratamento envolve corticosteroides e imunossupressores, como a ciclofosfamida, para controlar a inflamação e prevenir danos orgânicos. É fundamental que residentes considerem vasculites como a PAN no diagnóstico diferencial de eventos isquêmicos recorrentes, especialmente na ausência de aterosclerose e fatores de risco clássicos, para evitar atrasos no diagnóstico e tratamento que podem ser fatais.
A presença de microaneurismas nas artérias de médio calibre, estenoses e oclusões segmentares, além da ausência de aterosclerose significativa, são achados angiográficos que levantam forte suspeita de Poliarterite Nodosa.
A PAN causa inflamação e necrose da parede dos vasos de médio calibre, incluindo as artérias coronárias, levando à formação de trombos, oclusões e microaneurismas que podem romper ou trombosar, resultando em isquemia miocárdica e IAM recorrente.
Além da Poliarterite Nodosa, outros diagnósticos diferenciais incluem dissecção espontânea de artéria coronária (SCAD), espasmo coronariano, trombofilias, miocardite, doença de Kawasaki (em adultos) e outras vasculites.
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