CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Paciente com vasculite retiniana, apresenta comprometimento predominantemente arterial. Qual o diagnóstico mais provável dentre as alternativas abaixo?
Vasculite retiniana predominantemente arterial → Pensar em Poliarterite Nodosa (PAN).
Diferente de Behçet e Sarcoidose, que afetam primariamente as vênulas, a PAN é uma vasculite necrotizante de médios e pequenos vasos que foca nas artérias.
A Poliarterite Nodosa (PAN) é uma vasculite sistêmica rara, mas grave, que não costuma estar associada a ANCA. Sua identificação através do exame oftalmológico é vital, pois o comprometimento arterial retiniano pode ser o sinal de alerta para uma doença multissistêmica com alta mortalidade se não tratada. A fisiopatologia envolve inflamação transmural das artérias, levando a microaneurismas e tromboses. Na prática clínica, ao observar uma vasculite que poupa as veias e foca nas artérias, o residente deve solicitar avaliação reumatológica completa, incluindo triagem para Hepatite B, que possui associação histórica com a PAN clássica. O manejo exige equipe multidisciplinar para monitoramento de complicações renais e gastrointestinais.
A Poliarterite Nodosa (PAN) é uma vasculite sistêmica necrotizante que afeta artérias de médio e pequeno calibre. No olho, manifesta-se classicamente como uma vasculite retiniana predominantemente arterial, podendo causar oclusões arteriais, isquemia retiniana periférica, e em casos graves, esclerite necrosante ou ceratite ulcerativa periférica. A ausência de envolvimento venular proeminente ajuda a diferenciá-la de outras condições como a sarcoidose ou a doença de Behçet.
O diagnóstico diferencial inclui a Poliarterite Nodosa, a Arterite de Células Gigantes (em vasos maiores), a Síndrome de Susac (oclusões de ramos arteriais da retina) e a IRVAN (neurorretinite neurovascular arterial retiniana idiopática). É crucial distinguir se o processo é predominantemente arterial, venular (como na sarcoidose e Eales) ou misto para direcionar a investigação sistêmica.
O tratamento é primariamente sistêmico, visando o controle da inflamação vascular para prevenir perda visual e complicações fatais em outros órgãos. Geralmente envolve corticoterapia em altas doses (frequentemente pulsoterapia com metilprednisolona) associada a agentes imunossupressores, sendo a ciclofosfamida o padrão-ouro para casos graves ou com risco de vida/órgão.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo