MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um médico de família e comunidade, ao assumir uma nova Unidade Básica de Saúde em uma região periférica de uma metrópole brasileira, realiza uma análise do perfil de saúde do território para o planejamento das ações do semestre. Ao revisar o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), ele observa um fenômeno intrigante: enquanto a prevalência de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2 cresce exponencialmente na população adulta, a unidade ainda registra surtos recorrentes de febre tifoide e uma alta incidência de tuberculose. Além disso, os dados de mortalidade mostram um aumento significativo de óbitos por causas externas entre jovens de 15 a 29 anos. Considerando as características da transição epidemiológica em países de média renda como o Brasil, qual termo descreve corretamente a coexistência desses diferentes perfis de morbimortalidade em uma mesma população?
Ao atender um paciente em áreas de transição polarizada, nunca ignore sintomas infecciosos (como febre prolongada) apenas porque o paciente tem comorbidades crônicas (como Diabetes). O risco de coinfecção ou doenças negligenciadas permanece alto.
A transição epidemiológica no Brasil apresenta características singulares em comparação aos países desenvolvidos. Enquanto na Europa houve uma substituição gradual das doenças infectocontagiosas pelas crônico-degenerativas, no Brasil observa-se uma sobreposição. Esse fenômeno, denominado polarização epidemiológica, reflete as desigualdades sociais onde coexistem riscos de diferentes épocas. Fisiopatologicamente, o aumento das DCNTs está ligado ao envelhecimento e mudanças no estilo de vida, enquanto a persistência de doenças como febre tifoide e tuberculose está atrelada a falhas no saneamento e vulnerabilidade social. O médico de família deve estar apto a manejar essa complexidade, utilizando dados do SIM e SINAN para o planejamento territorial. O prognóstico das populações em áreas de polarização depende da robustez da Atenção Primária. O manejo deve ser integral, focando tanto na prevenção de agravos transmissíveis quanto no controle rigoroso de fatores de risco metabólicos e na mitigação de danos por causas externas.
A europeia foi lenta e linear, acompanhando a melhoria do saneamento. A brasileira é rápida, desigual e apresenta a coexistência de perfis (polarização), sem completar a agenda de doenças infecciosas.
É a ocorrência simultânea de doenças infecciosas/materno-infantis, doenças crônicas não transmissíveis e causas externas (acidentes e violência) na mesma população.
Sim, a transição demográfica (envelhecimento da população) é um dos principais motores, pois altera a estrutura etária e aumenta a proporção de pessoas suscetíveis a doenças degenerativas.
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