CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2022
Se fossemos medir o poder focal imagem da face posterior da córnea após sua retirada do globo ocular, teríamos um valor ao redor de (considere a curvatura anterior da córnea 7,7 mm: a curvatura posterior da córnea 6,8 mm: o índice de refração do estroma corneano 1,376 e o índice de refração do ar 1,00):
Poder da face posterior da córnea no ar ≈ -55D (Interface estroma/ar e raio 6.8mm).
Ao isolar a córnea no ar, a face posterior torna-se uma interface estroma (n=1.376) para ar (n=1.00). O raio de curvatura menor e o gradiente de índice resultam em alto poder divergente.
A córnea é o principal elemento refrativo do olho humano. Seu poder total é a soma do poder da face anterior e da face posterior. No ar, a face anterior (ar/estroma) tem um poder positivo alto (aprox. +48D), enquanto a face posterior (estroma/ar) apresenta um poder negativo muito alto devido à grande diferença entre os índices de refração (1.376 vs 1.00) e ao raio de curvatura reduzido. O cálculo exato para a questão utiliza P = (1.000 - 1.376) / 0.0068, resultando em aproximadamente -55.29 D. Este exercício teórico ajuda o residente a compreender como os índices de refração e os raios de curvatura determinam a vergência da luz, conceito fundamental para a biometria e planejamento cirúrgico em oftalmologia.
O poder (P) em dioptrias é calculado pela fórmula P = (n2 - n1) / r, onde n2 é o índice de refração do meio de destino, n1 é o índice do meio de origem e r é o raio de curvatura em metros. No caso da face posterior da córnea no ar, n2=1.00, n1=1.376 e r=0.0068m.
O poder é negativo porque a luz passa de um meio com maior índice de refração (estroma, 1.376) para um meio com menor índice (ar, 1.00) através de uma superfície côncava em relação ao incidência, resultando em divergência dos raios luminosos.
Em condições fisiológicas (interface estroma/aquoso), a face posterior contribui com cerca de -6.00 D para o poder total da córnea. Alterações nessa curvatura, como no ceratocone, impactam o astigmatismo total e a qualidade visual, sendo essencial no cálculo de lentes intraoculares pós-cirurgia refrativa.
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