Trauma Torácico: Pneumotórax Persistente e Enfisema

Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino é transferido de outra cidade para avaliação da equipe de cirurgia do trauma e cirurgia torácica devido à queda de andaime de aproximadamente 15 metros de altura há 2 dias. Foi atendido na cidade de origem e realizada drenagem de tórax bilateral, porém o paciente não apresentou melhora com a terapêutica proposta e os ambos os drenos continuaram com grande débito aéreo no selo d’água. É admitido em sala do trauma com as seguintes condições: A - Via aérea pérvia, sem colar cervical. B - Equimoses torácicas, expansibilidade assimétrica e restrita, dor a palpação difusa com crepitações subcutâneas e murmúrio reduzido bilateralmente. Dreno de tórax a direita oscilando, com débito aéreo, dreno a esquerda não oscilante, sem débito. Saturação periférica de oxigênio: 90% em máscara com fluxo de 5 l/min. C - Estável hemodinamicamente. Bem perfundido, sem sinais de choque. D - Glasgow 15, pupilas isocóricas, sem déficits focais. E - Sem outras lesões ameaçadoras à vida aparentes. É submetido à tomografia de tórax abaixo. Assinale a alternativa que melhor descreve os achados tomográficos.

Alternativas

  1. A) Pneumotórax a direita apenas, ausência de enfisema subcutâneo, contusão pulmonar bilateral.
  2. B) Pneumotórax bilateral, drenos torácicos, ausência de enfisema subcutâneo, ausência de pneumomediastino.
  3. C) Ausência de pneumotórax, grandes contusões pulmonares bilaterais, grande enfisema subcutâneo, pneumomediastino.
  4. D) Pneumotórax bilateral persistente, grande enfisema subcutâneo e pneumomediastino.

Pérola Clínica

Trauma torácico grave com drenos persistindo com débito aéreo e enfisema subcutâneo → suspeitar pneumotórax persistente e pneumomediastino.

Resumo-Chave

A persistência de débito aéreo em drenos torácicos após trauma, associada a enfisema subcutâneo e expansibilidade assimétrica, sugere pneumotórax persistente e possível lesão traqueobrônquica ou esofágica, que pode levar a pneumomediastino. A TC de tórax é crucial para avaliar a extensão dessas lesões.

Contexto Educacional

O trauma torácico é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes politraumatizados. A presença de pneumotórax persistente, evidenciado por débito aéreo contínuo em drenos torácicos, juntamente com enfisema subcutâneo progressivo, é um sinal de alerta para lesões torácicas graves que não foram resolvidas com a drenagem inicial. A fisiopatologia do pneumotórax persistente geralmente envolve uma fístula broncopleural, onde há uma comunicação anormal entre o brônquio ou parênquima pulmonar e o espaço pleural, permitindo a fuga contínua de ar. O enfisema subcutâneo ocorre quando o ar extravasa do espaço pleural ou mediastino para o tecido subcutâneo. O pneumomediastino indica a presença de ar no mediastino, frequentemente associado a lesões de via aérea ou esôfago. A tomografia de tórax é o exame de imagem de escolha para detalhar essas lesões, identificar a fonte do vazamento de ar e guiar o tratamento subsequente, que pode incluir reavaliação dos drenos, broncoscopia ou intervenção cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas de pneumotórax persistente após drenagem torácica?

As causas incluem fístula broncopleural (lesão de brônquio ou pulmão), drenagem inadequada (dreno mal posicionado ou obstruído), ou lesão esofágica com pneumomediastino.

O que o enfisema subcutâneo extenso indica em um trauma torácico?

O enfisema subcutâneo extenso sugere extravasamento de ar dos pulmões ou vias aéreas para o tecido subcutâneo, indicando uma lesão significativa que permite a fuga contínua de ar.

Qual a importância da tomografia de tórax no trauma torácico com drenos?

A TC de tórax é essencial para identificar a causa do pneumotórax persistente, avaliar a extensão das lesões pulmonares (contusões, lacerações), detectar pneumomediastino e verificar o posicionamento dos drenos.

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