Pneumotórax Persistente Pós-Drenagem: Qual a Conduta?

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 20 anos, vítima de ferimento por arma branca em hemitórax esquerdo, na altura do 3º EIC junto à linha axilar anterior; chega dispneica à sala de trauma com saturação de O2 = 88%. O tórax foi drenado com dreno tubular e sistema coletor selo d'água. A saturação após a drenagem pleural = 90%. Realizado RX de tórax ainda na sala de trauma que mostra dreno bem posicionado com pneumotórax persistente, apesar do coletor borbulhar bastante. Qual a próxima conduta?

Alternativas

  1. A) Colocar um segundo dreno de tórax.
  2. B) Tomografia computadorizada de tórax.
  3. C) Broncoscopia de urgência.
  4. D) Trocar o dreno de tórax.

Pérola Clínica

Dreno de tórax bem posicionado + pneumotórax persistente + borbulhamento intenso → considerar segundo dreno ou falha de selagem.

Resumo-Chave

Em caso de pneumotórax persistente após drenagem pleural com dreno bem posicionado e borbulhamento intenso, a principal causa é um vazamento aéreo significativo. A conduta inicial é considerar a colocação de um segundo dreno para otimizar a drenagem e selagem do vazamento.

Contexto Educacional

O trauma torácico penetrante, como o ferimento por arma branca, é uma emergência médica que frequentemente resulta em pneumotórax, hemotórax ou ambos. A drenagem torácica com dreno tubular e selo d'água é a conduta inicial padrão para evacuar ar e/ou sangue da cavidade pleural, permitindo a reexpansão pulmonar e a melhora da função respiratória. No entanto, em alguns casos, o pneumotórax pode persistir mesmo após a drenagem adequada. Um pneumotórax persistente, com dreno bem posicionado e borbulhamento intenso no sistema coletor, sugere um vazamento aéreo significativo, muitas vezes de origem brônquica ou parenquimatosa, que o dreno existente não consegue compensar. A persistência da dispneia e a baixa saturação de oxigênio reforçam a necessidade de intervenção. Nesses cenários, a colocação de um segundo dreno de tórax, geralmente em uma posição diferente ou com um calibre maior, é uma conduta comum para tentar selar o vazamento e promover a reexpansão pulmonar. Para residentes, é crucial entender que a falha na resolução do pneumotórax após a primeira drenagem exige uma reavaliação imediata. Antes de considerar procedimentos mais invasivos como a toracotomia, a otimização da drenagem pleural é a próxima etapa lógica e menos invasiva. A tomografia computadorizada de tórax seria considerada se a colocação do segundo dreno também falhar, para identificar a fonte exata do vazamento e planejar uma abordagem cirúrgica definitiva, se necessário.

Perguntas Frequentes

O que indica um pneumotórax persistente após drenagem torácica?

Um pneumotórax persistente, mesmo com dreno bem posicionado e borbulhamento, indica que há um vazamento aéreo significativo que o dreno atual não está conseguindo selar ou drenar completamente, necessitando reavaliação.

Qual a conduta inicial para pneumotórax persistente com borbulhamento intenso?

A conduta inicial é considerar a colocação de um segundo dreno de tórax para tentar selar o vazamento e otimizar a drenagem, especialmente em casos de trauma torácico com lesão pulmonar.

Quando a tomografia de tórax é indicada em pneumotórax persistente?

A tomografia de tórax é indicada se o segundo dreno falhar em resolver o pneumotórax, para identificar a localização exata do vazamento aéreo, lesões brônquicas ou outras complicações que possam exigir intervenção cirúrgica.

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