UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Lactente de 5 meses iniciou há 3 dias com febre baixa, tosse seca, coriza hialina. Há 1 dia iniciou canseira com tosse produtiva e chiado no peito com melhora da febre. Continua sugando bem o peito materno, sorridente. Ao exame, apresenta FC 120 bpm, FR 70 irpm, Sat O2 96%, sibilos expiratórios bilaterais com tiragens intercostais leves. Abruptamente apresenta cianose generalizada, sat O2 80%, murmúrio abolido à direita com timpanismo local. Assinale a alternativa que apresenta as complicações que ocorreram nesta criança:
Lactente com bronquiolite + piora súbita (cianose, Sat O2 ↓, murmúrio abolido, timpanismo) → Pneumotórax.
A piora abrupta do quadro respiratório de um lactente com bronquiolite, caracterizada por cianose generalizada, queda acentuada da saturação de oxigênio, murmúrio vesicular abolido em um hemitórax e timpanismo à percussão, é altamente sugestiva de pneumotórax, uma complicação grave que exige intervenção imediata.
A bronquiolite é uma infecção viral comum do trato respiratório inferior em lactentes, que pode evoluir com desconforto respiratório significativo. Embora a maioria dos casos seja autolimitada, algumas crianças podem desenvolver complicações graves, sendo o pneumotórax uma das mais agudas e potencialmente fatais. O reconhecimento rápido dessas complicações é vital para residentes em Pediatria e Emergência Pediátrica. O quadro inicial da bronquiolite é caracterizado por sintomas de infecção de vias aéreas superiores, seguidos por tosse, sibilos, taquipneia e tiragens. A fisiopatologia envolve inflamação e edema das pequenas vias aéreas, levando a obstrução e aprisionamento de ar. Em casos de doença grave, o aumento da pressão intratorácica e a fragilidade dos alvéolos podem predispor à ruptura de bolhas de ar e ao desenvolvimento de pneumotórax, especialmente em crianças com doença pulmonar prévia ou ventilação mecânica. A suspeita de pneumotórax deve surgir diante de uma piora súbita e dramática do estado respiratório do lactente, com cianose, desaturação grave, taquicardia e sinais ao exame físico como assimetria torácica, murmúrio vesicular abolido no lado afetado e timpanismo à percussão. O diagnóstico é confirmado por radiografia de tórax, que mostrará a presença de ar no espaço pleural. O tratamento imediato envolve a descompressão do espaço pleural, geralmente por punção com agulha ou inserção de dreno torácico, para restaurar a função pulmonar e estabilizar o paciente.
Sinais de alerta incluem piora súbita do desconforto respiratório, cianose, taquipneia acentuada, assimetria do tórax, murmúrio vesicular abolido ou muito diminuído em um hemitórax e timpanismo à percussão no lado afetado. A queda abrupta da saturação de oxigênio também é um indicativo importante.
O pneumotórax é grave porque o acúmulo de ar no espaço pleural comprime o pulmão, impedindo sua expansão adequada e comprometendo a troca gasosa. Em lactentes com bronquiolite, que já têm comprometimento pulmonar, isso pode levar rapidamente à insuficiência respiratória aguda e instabilidade hemodinâmica, podendo ser fatal se não tratado prontamente.
A diferenciação é feita pela avaliação clínica e exames complementares. Enquanto a pneumonia geralmente cursa com febre alta, crepitações e macicez, e a atelectasia com macicez e murmúrio abolido, o pneumotórax se destaca pela piora súbita, timpanismo à percussão e murmúrio abolido. A radiografia de tórax confirma o diagnóstico, mostrando a presença de ar no espaço pleural e desvio de estruturas mediastinais em casos de pneumotórax hipertensivo.
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