UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, de 33 anos de idade, vítima de acidente em rodovia, no qual ocorreu batida frontal do automóvel que dirigia com o veículo que se deslocava em sentido contrário, é conduzido pela ambulância da concessionária da rodovia ao serviço de emergência do hospital da cidade mais próxima. Encontra-se em maca apropriada, com imobilização cervical, obnubilado, dispneico, taquipneico, hipotenso e com turgência venosa jugular. O médico que o acompanhou na ambulância informa que já realizou as etapas iniciais propostas pelo ATLS e que há enfisema subcutâneo na parte inferior do pescoço à direita. Acrescenta que parece haver fraturas costais, diminuição do murmúrio vesicular à direita, piora das condições respiratórias, apesar da oxigenioterapia por cateter nasal e da infusão rápida de uma unidade de solução de ringer lactato. Afirma, também, que a pressão arterial é de 60 mmHg e o pulso é de 120 bpm, mas que o paciente tem mucosas normocrômicas. Diante do quadro clínico descrito, qual conduta inicial deveria ser adotada pelo médico do serviço de emergência?
Trauma torácico + hipotensão + turgência jugular + MV ↓ + enfisema SC → Pneumotórax hipertensivo = Descompressão imediata.
O quadro de trauma torácico com hipotensão, taquicardia, dispneia, turgência jugular, diminuição do murmúrio vesicular à direita e enfisema subcutâneo é altamente sugestivo de pneumotórax hipertensivo. Esta é uma emergência que causa choque obstrutivo e requer descompressão imediata do tórax antes mesmo de exames de imagem.
O pneumotórax hipertensivo é uma condição potencialmente fatal que se desenvolve quando o ar entra na cavidade pleural, mas não consegue sair, criando um mecanismo de válvula unidirecional. O acúmulo progressivo de ar sob pressão comprime o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino para o lado contralateral, e compromete gravemente o retorno venoso ao coração, levando a um choque obstrutivo. É uma das lesões "killer" do trauma torácico, exigindo reconhecimento e tratamento imediatos. A fisiopatologia do pneumotórax hipertensivo envolve o aumento da pressão intratorácica, que impede a expansão pulmonar e o enchimento cardíaco. Os sinais clássicos incluem dispneia progressiva, taquicardia, hipotensão, turgência jugular, desvio da traqueia (sinal tardio e nem sempre presente), diminuição ou ausência do murmúrio vesicular no lado afetado e, por vezes, enfisema subcutâneo. O diagnóstico é eminentemente clínico e não deve ser atrasado por exames de imagem. O tratamento é uma emergência médica. A descompressão imediata do tórax é a prioridade, que pode ser realizada inicialmente por toracocentese com agulha (no 2º espaço intercostal, linha hemiclavicular) para aliviar a pressão, seguida pela inserção de um dreno torácico definitivo (no 5º espaço intercostal, linha axilar média ou anterior) sob selo d'água. A sequência do ATLS (Advanced Trauma Life Support) enfatiza a identificação e tratamento rápido das lesões que ameaçam a vida durante a avaliação primária.
Os sinais incluem dispneia progressiva, taquicardia, hipotensão, turgência jugular, desvio de traqueia (sinal tardio), diminuição ou ausência de murmúrio vesicular no lado afetado e enfisema subcutâneo.
O acúmulo de ar sob pressão na cavidade pleural comprime o pulmão ipsilateral e desvia o mediastino, comprimindo as grandes veias e o coração, o que impede o retorno venoso adequado e diminui o débito cardíaco, levando a choque obstrutivo.
A conduta inicial é a descompressão torácica de emergência, que pode ser realizada por toracocentese com agulha (no 2º espaço intercostal, linha hemiclavicular) ou, preferencialmente, pela inserção de um dreno torácico (no 5º espaço intercostal, linha axilar média ou anterior).
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