UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025
Em relação ao trauma torácico, assinale a alternativa correta.
Pneumotórax hipertensivo → Desvio de mediastino + ↓ Retorno venoso = Choque obstrutivo.
No trauma, o pneumotórax hipertensivo é uma emergência onde o ar acumulado sob pressão colapsa o pulmão e desvia o mediastino, impedindo o retorno venoso e causando choque obstrutivo fatal se não tratado.
O trauma torácico é responsável por cerca de 25% das mortes imediatas no trauma. O reconhecimento das lesões com risco de vida imediato durante o exame primário (ABCDE) é vital. O pneumotórax hipertensivo, o pneumotórax aberto, o hemotórax maciço e o tamponamento cardíaco são as principais entidades a serem excluídas. Vale ressaltar que o hemotórax maciço é definido pela drenagem imediata de >1500 mL de sangue (ou >200 mL/h por 2-4 horas), e o tamponamento cardíaco é mais comum em traumas penetrantes. A contusão pulmonar, embora grave, muitas vezes se manifesta de forma insidiosa e pode não ser totalmente evidente no exame primário inicial.
O choque obstrutivo no pneumotórax hipertensivo ocorre devido ao acúmulo progressivo de ar no espaço pleural através de um mecanismo de válvula unidirecional. À medida que a pressão intrapleural aumenta, o pulmão ipsilateral colapsa e o mediastino é empurrado para o lado oposto. Esse desvio comprime as veias cavas superior e inferior e o átrio direito, reduzindo drasticamente o retorno venoso (pré-carga). Sem sangue chegando ao coração, o débito cardíaco despenca, levando à hipotensão e choque, independentemente do status volêmico do paciente.
Embora o diagnóstico seja clínico, os sinais clássicos incluem: 1) Desconforto respiratório grave com ausência de murmúrio vesicular no lado afetado; 2) Hipertimpanismo à percussão; e 3) Sinais de choque (hipotensão, taquicardia). Sinais tardios e nem sempre presentes incluem a turgência jugular (devido à obstrução do retorno venoso) e o desvio da traqueia para o lado contralateral. A presença de enfisema subcutâneo também pode sugerir a patologia.
O tratamento deve ser imediato e não deve esperar exames de imagem. Segundo o ATLS 10ª edição, a conduta inicial é a descompressão torácica por agulha (toracocentese de alívio), preferencialmente no 5º espaço intercostal, entre a linha axilar anterior e média (em adultos). Em crianças, o 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ainda é uma opção. Esta manobra transforma o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples. O tratamento definitivo é sempre a drenagem torácica fechada em selo d'água.
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