Trauma Torácico: Choque Obstrutivo e Hipovolêmico

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 20 anos colidiu sua moto em alta velocidade contra a lateral de um carro, sendo arremessado a 6 metros. Chegou em prancha rígida e colar cervical reclamando de falta de ar e muita dor na região tóraco-abdominal direita. Não se recorda do acidente e pergunta repetidamente onde está. Ao exame físico: SatO2 89% (ar ambiente), FC 130 bpm, desvio de traqueia para o lado esquerdo, MV abolido e hipertimpanismo à percussão do hemitórax direito, pulso filiforme e extremidades pálidas e frias. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Sua via aérea está pérvia, não sendo necessária nenhuma conduta neste momento. A prioridade é a abordagem de possíveis lesões torácicas e abdominais.
  2. B) Paciente apresenta um pneumotórax à direita, se a radiografia de tórax confirmar o diagnóstico, está indicada drenagem torácica no 5o espaço intercostal.
  3. C) Paciente apresenta sinais de choque, com relação à etiologia, pode-se estar diante de um choque obstrutivo associado a um choque hipovolêmico.
  4. D) O escore na Escala de Coma de Glasgow é 15, não sendo necessária avaliação neurológica complementar.

Pérola Clínica

Trauma grave + desvio de traqueia + MV abolido + hipertimpanismo + choque = pneumotórax hipertensivo (obstrutivo) + choque hipovolêmico.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais clássicos de pneumotórax hipertensivo (desvio de traqueia, MV abolido, hipertimpanismo, hipóxia, taquicardia), que causa choque obstrutivo. A história de trauma de alta energia e sinais de hipoperfusão (pulso filiforme, extremidades frias) sugerem também choque hipovolêmico por hemorragia interna.

Contexto Educacional

O paciente apresenta um quadro de trauma de alta energia, com múltiplos sinais de gravidade e choque. A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a abordagem das condições que ameaçam a vida. Os achados de desvio de traqueia, murmúrio vesicular abolido e hipertimpanismo no hemitórax direito, juntamente com hipóxia e taquicardia, são patognomônicos de pneumotórax hipertensivo. Esta condição causa choque obstrutivo devido à compressão do mediastino, grandes vasos e coração, impedindo o retorno venoso e o enchimento cardíaco. Além disso, a história de trauma de alta energia, pulso filiforme, extremidades pálidas e frias, e a dor tóraco-abdominal sugerem fortemente a presença de choque hipovolêmico, provavelmente por hemorragia interna (torácica ou abdominal). A confusão mental do paciente (não se recorda do acidente, pergunta repetidamente onde está) indica hipoperfusão cerebral e/ou lesão cerebral traumática, e a Escala de Coma de Glasgow deve ser avaliada cuidadosamente, mas não é 15. Portanto, o paciente está em choque misto, obstrutivo e hipovolêmico, necessitando de intervenções imediatas para ambas as etiologias.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos de pneumotórax hipertensivo?

Os sinais incluem desvio de traqueia para o lado contralateral, murmúrio vesicular abolido e hipertimpanismo à percussão no hemitórax afetado, além de hipotensão, taquicardia e hipóxia.

Qual a conduta imediata para um pneumotórax hipertensivo?

A conduta imediata é a descompressão torácica por punção com agulha (toracocentese de alívio) no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular, seguida por drenagem torácica definitiva.

Como diferenciar choque obstrutivo de choque hipovolêmico no trauma?

Ambos podem causar hipotensão e taquicardia. O choque obstrutivo (ex: pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco) tem sinais específicos de obstrução (desvio de traqueia, turgência jugular, abafamento de bulhas), enquanto o hipovolêmico se manifesta por sinais de perda volêmica (sangramento visível, abdome distendido, fraturas). No trauma grave, podem coexistir.

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