Pneumotórax Hipertensivo: Diagnóstico e Conduta de Emergência

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Homem, com 26 anos de idade, apresentou, durante a prática de basquetebol, dor torácica súbita, de leve intensidade, no hemitórax esquerdo, associada a leve desconforto respiratório. Mesmo tendo interrompido a prática de esporte, o desconforto respiratório agravou-se e ele foi levado pelos amigos a uma unidade de pronto atendimento. No exame inicial apresentava facies de sofrimento agudo e cianose leve, frequência respiratória de 38 incursões respiratórias por minuto, frequência cardíaca de 138 bpm, pressão arterial de 80x50 mmHg e saturação de oxigênio de 83%. A ausculta pulmonar revelava murmúrio vesicular praticamente abolido à esquerda. Mediante esse quadro, qual deve ser a conduta imediata?

Alternativas

  1. A) Administração de O2 úmido – 6 L/min e solicitação de Raio X de tórax em Pressão arterial e em ortostatismo.
  2. B) Administração de O2 úmido – 6 L/min e solicitação de Raio X de tórax em Pressão arterial e em decúbito lateral esquerdo.
  3. C) Administração de O2 úmido sob pressão; solicitação de radiografias sequenciais de tórax em postero anterior, antes e após O2 sob pressão.
  4. D) Solicitação de radiografia de tórax em póstero-anterior, perfil e decúbito lateral esquerdos e avaliação cirúrgica.
  5. E) Realizar drenagem por punção torácica com agulha calibrosa, no segundo espaço intercostal esquerdo.

Pérola Clínica

Hipotensão + MV abolido + Taquicardia = Pneumotórax Hipertensivo → Descompressão por agulha IMEDIATA.

Resumo-Chave

O pneumotórax hipertensivo é uma emergência com diagnóstico clínico. A conduta deve ser a descompressão imediata para reverter o choque obstrutivo antes de qualquer exame de imagem.

Contexto Educacional

O pneumotórax hipertensivo ocorre quando um mecanismo de válvula unidirecional permite a entrada de ar no espaço pleural durante a inspiração, mas impede sua saída na expiração. Isso gera um aumento progressivo da pressão intratorácica, causando colapso pulmonar ipsilateral e desvio do mediastino, o que comprime o retorno venoso (veia cava) e leva ao choque obstrutivo. No caso clínico, o paciente apresenta a tríade de gravidade: insuficiência respiratória (FR 38, SatO2 83%), choque (PA 80x50, FC 138) e exame físico compatível (MV abolido à esquerda). Diante da iminência de parada cardiorrespiratória, a realização de exames de imagem é contraindicada, devendo-se proceder imediatamente à descompressão.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clássicos do pneumotórax hipertensivo?

Os sinais clássicos incluem dor torácica súbita, dispneia grave, instabilidade hemodinâmica (hipotensão e taquicardia), ausência de murmúrio vesicular no lado afetado, hipertimpanismo à percussão e, em fases tardias, desvio da traqueia para o lado contralateral e turgência jugular.

Onde deve ser feita a punção de alívio?

Tradicionalmente, o ATLS recomendava o 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular. No entanto, atualizações recentes (ATLS 10ª ed) sugerem o 4º ou 5º espaço intercostal, entre a linha axilar anterior e média, como local preferencial em adultos devido à menor espessura da parede torácica e maior eficácia da descompressão.

A punção de alívio é o tratamento definitivo?

Não. A punção de alívio (toracocentese por agulha) é uma medida temporária de emergência para converter um pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples. O tratamento definitivo obrigatoriamente envolve a drenagem torácica em selo d'água após a estabilização inicial.

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