Pneumotórax Hipertensivo: Diagnóstico e Toracentese

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 22 anos, vítima de colisão de carro a 70 km/h contra um caminhão; o condutor estava sem cinto de segurança. Dados locais: PA 100 x 70 mmHg, FC 110 bpm, FR 18 ipm, SatO₂ 92%. Tempo de resgaste de 30 minutos. Chega ao serviço de emergência em prancha rígida, colar cervical e máscara de oxigênio a 10 L/min. Queixa-se de muita dor no tórax e dificuldade para respirar. Sinais vitais na admissão: PA 90 x 70 mmHg, FC 130 bpm, FR 24 ipm, SatO₂ 88%. Escoriações e equimoses em face e tórax bilateral. Crepitações em tórax à direita. Murmúrios vesiculares reduzidos à direita. Qual é a conduta correta nesse momento?

Alternativas

  1. A) Infundir 1 litro de cristaloide.
  2. B) Toracentese descompressiva.
  3. C) Intubação orotraqueal.
  4. D) Realizar o FAST.

Pérola Clínica

Trauma torácico + hipotensão + taquicardia + MV reduzido unilateral + crepitações → Suspeita pneumotórax hipertensivo → Toracentese descompressiva.

Resumo-Chave

Em um paciente vítima de trauma torácico com deterioração hemodinâmica e respiratória, hipotensão, taquicardia e murmúrios vesiculares reduzidos unilateralmente, deve-se suspeitar de pneumotórax hipertensivo. A conduta imediata e salvadora é a toracentese descompressiva, antes mesmo de exames de imagem.

Contexto Educacional

O pneumotórax hipertensivo é uma condição de emergência médica que ocorre quando o ar entra no espaço pleural, mas não consegue sair, levando a um acúmulo progressivo de pressão. Essa pressão comprime o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino para o lado contralateral, e compromete o retorno venoso ao coração, resultando em choque obstrutivo e insuficiência respiratória grave. É uma complicação comum e potencialmente fatal de traumas torácicos. A apresentação clínica é dramática, com piora súbita da dispneia, dor torácica, taquicardia, hipotensão e hipoxemia. Ao exame físico, observa-se diminuição ou abolição do murmúrio vesicular e hipertimpanismo à percussão no lado afetado, além de turgência jugular e desvio traqueal (sinais tardios). A suspeita clínica é crucial, pois o diagnóstico e tratamento devem ser imediatos, sem esperar por exames de imagem. A conduta imediata e salvadora é a toracentese descompressiva com agulha, que transforma o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, permitindo a estabilização do paciente. Posteriormente, deve-se realizar a drenagem torácica com selo d'água. O reconhecimento rápido e a intervenção precoce são pilares no manejo do trauma torácico e são conhecimentos essenciais para qualquer residente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas do pneumotórax hipertensivo?

Os sinais incluem hipotensão, taquicardia, desvio da traqueia (tardio), turgência jugular (se não houver hipovolemia grave), murmúrios vesiculares abolidos ou reduzidos e hipertimpanismo à percussão no lado afetado, além de insuficiência respiratória progressiva.

Onde e como realizar a toracentese descompressiva?

A toracentese descompressiva é realizada inserindo uma agulha calibrosa (14G ou 16G) no segundo espaço intercostal, linha hemiclavicular, ou no quinto espaço intercostal, linha axilar média, acima da borda superior da costela inferior, para aliviar a pressão intratorácica.

Por que o pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica?

O pneumotórax hipertensivo é uma emergência porque o ar que entra no espaço pleural não consegue sair, aumentando a pressão intratorácica, colapsando o pulmão ipsilateral, desviando o mediastino e comprimindo o coração e os grandes vasos, levando a choque obstrutivo e parada cardiorrespiratória.

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