HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022
Homem de 27 anos, vítima de queda de motocicleta em alta velocidade, dá entrada no pronto atendimento dispneico, hipotenso, taquicárdico, cianótico e com turgência jugular. Ao exame, mostra-se com vias aéreas pérvias, hemitórax esquerdo timpânico à percussão e com murmúrios vesiculares abolidos à ausculta. Nesse caso, qual deve ser a conduta imediata a ser tomada?
Trauma torácico + dispneia + hipotensão + turgência jugular + MV abolidos/timpanismo → Pneumotórax hipertensivo = Toracocentese de alívio imediata.
O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica que causa colapso pulmonar, desvio mediastinal e comprometimento hemodinâmico. O diagnóstico é clínico e a conduta imediata é a descompressão torácica por toracocentese de alívio, antes mesmo da confirmação radiológica.
O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica potencialmente fatal que ocorre quando o ar entra no espaço pleural, mas não consegue sair, levando a um acúmulo progressivo de pressão. Esta pressão causa colapso completo do pulmão ipsilateral, desvio do mediastino para o lado contralateral, compressão da veia cava e diminuição do retorno venoso ao coração, resultando em choque obstrutivo. É uma das lesões torácicas que mais rapidamente levam à morte e seu reconhecimento e tratamento imediatos são cruciais no atendimento ao traumatizado. A fisiopatologia envolve a formação de uma válvula unidirecional na pleura visceral ou parietal, permitindo a entrada de ar durante a inspiração, mas impedindo sua saída na expiração. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de dispneia, hipotensão e turgência jugular, associada a achados como timpanismo e abolição dos murmúrios vesiculares no hemitórax afetado. O desvio de traqueia é um sinal tardio e não deve atrasar a intervenção. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente traumatizado com deterioração respiratória e hemodinâmica. A conduta imediata é a descompressão torácica por toracocentese de alívio (punção com agulha), realizada no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou no 4º/5º espaço intercostal na linha axilar média. Este procedimento transforma o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, permitindo a estabilização do paciente até que uma drenagem torácica definitiva possa ser realizada. O prognóstico depende diretamente da rapidez do diagnóstico e da intervenção, sendo um dos poucos casos em que a intervenção precede qualquer exame de imagem.
Os sinais clássicos incluem dispneia progressiva, hipotensão, taquicardia, turgência jugular, desvio de traqueia (tardio), timpanismo à percussão e abolição dos murmúrios vesiculares no hemitórax afetado.
A toracocentese de alívio é a conduta imediata porque o pneumotórax hipertensivo é uma condição de risco de vida que causa colapso pulmonar e comprometimento hemodinâmico grave. A descompressão rápida do espaço pleural alivia a pressão e restaura a função cardiorrespiratória.
A toracocentese de alívio deve ser realizada no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou no 4º/5º espaço intercostal na linha axilar média, utilizando um cateter de grosso calibre (jelco 14 ou 16) para permitir a saída rápida do ar sob pressão.
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