HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2025
Um paciente deu entrada na sala de trauma, vitima de acidente auto versus anteparo, com quadro de dispnéia importante além da perna esquerda com fratura exposta. Sinais vitais: pressão arterial (PA) 80x50 mmHg, frequência cardíaca (FC) 110 bpm, saturação de 02 90%. No exame físico, foi identificado murmúrio pulmonar abolido em hemitórax direito, desvio de traqueia observada na fúrcula esternal e hipertimpanismo torácico à direita, abdome sem alterações e perna esquerda com exposição óssea e sangramento em babação. A conduta imediata que deve ser tomada é realizar:
Tríade do pneumotórax hipertensivo (hipotensão + MV abolido + desvio de traqueia) → diagnóstico CLÍNICO e descompressão IMEDIATA.
O pneumotórax hipertensivo é uma emergência com diagnóstico clínico, não radiológico. A descompressão com agulha é uma medida salvadora de vida que deve ser realizada antes de qualquer exame de imagem, pois o atraso para confirmação pode levar à parada cardiorrespiratória por choque obstrutivo.
O pneumotórax hipertensivo é uma das condições mais letais e de rápida evolução no contexto do trauma, sendo uma causa reversível de parada cardíaca. Sua fisiopatologia envolve um mecanismo de válvula unidirecional, onde o ar entra no espaço pleural durante a inspiração, mas não consegue sair na expiração. Isso leva a um acúmulo progressivo de ar, colapso do pulmão, desvio do mediastino para o lado contralateral e compressão das veias cavas, resultando em diminuição drástica do retorno venoso e choque obstrutivo. O diagnóstico é uma emergência e deve ser feito clinicamente, com base em achados do exame físico primário do ATLS (o 'B' de Breathing). A presença de insuficiência respiratória grave, associada à instabilidade hemodinâmica, murmúrio vesicular abolido, hipertimpanismo e desvio de traqueia em um paciente traumatizado, fecha o diagnóstico. A solicitação de uma radiografia de tórax para confirmação é um erro grave que pode custar a vida do paciente, pois atrasa a intervenção terapêutica. A conduta salvadora de vidas é a descompressão torácica imediata. Isso é feito inicialmente com uma agulha de grosso calibre (toracocentese de alívio) para liberar o ar sob pressão e reverter o choque. Posteriormente, realiza-se o tratamento definitivo com a inserção de um dreno torácico em selo d'água (toracostomia). Dominar o reconhecimento e o manejo do pneumotórax hipertensivo é uma habilidade crucial para qualquer médico que atue em serviços de emergência.
Os achados clássicos incluem dispneia severa, hipotensão (choque obstrutivo), turgência jugular, murmúrio vesicular abolido e hipertimpanismo à percussão no hemitórax afetado, além de desvio da traqueia para o lado contralateral.
A conduta imediata é a descompressão torácica com agulha de grosso calibre (jelco 14 ou 16), inserida no 5º espaço intercostal, linha axilar anterior. Isso converte o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, aliviando o choque. A drenagem torácica definitiva deve ser realizada na sequência.
Ambos causam choque obstrutivo com turgência jugular. No entanto, o pneumotórax hipertensivo apresenta achados pulmonares unilaterais (MV abolido, hipertimpanismo), enquanto o tamponamento cardíaco cursa com a Tríade de Beck (hipotensão, turgência jugular e abafamento de bulhas) e murmúrio vesicular presente bilateralmente.
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