SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Um homem de 36 anos foi admitido com dispneia importante, cianose, hipotensão arterial, desvio traqueal e turgência jugular. Ao exame físico, o murmúrio vesicular estava abolido no hemitórax direito. Na avaliação inicial, foi colocada máscara de Venturi e puncionado tórax com agulha calibrosa saindo muito ar sobre pressão. Após essa manobra, o paciente melhorou o quadro clínico, porém continuava dispneico. Referiu que este era o terceiro episódio semelhante e que o seu pneumologista já diagnosticara fibrose cística com comprometimento pulmonar. De acordo com o quadro clínico descrito, a melhor conduta na emergência e tratamento sequencial são, respectivamente:
Pneumotórax hipertensivo + fibrose cística + recorrência → Drenagem torácica + videotoracoscopia com bulectomia e pleurodese.
O quadro clínico sugere pneumotórax hipertensivo (dispneia, cianose, hipotensão, desvio traqueal, turgência jugular, MV abolido), que foi inicialmente descomprimido. A história de fibrose cística e recorrência indica a necessidade de tratamento definitivo para prevenir novos episódios, sendo a videotoracoscopia com bulectomia e pleurodese a melhor opção após a drenagem inicial.
O pneumotórax é uma complicação pulmonar comum em pacientes com fibrose cística (FC), uma doença genética autossômica recessiva que afeta principalmente os pulmões e o sistema digestório. A FC leva à formação de muco espesso, obstrução brônquica, infecções recorrentes e formação de bolhas e cistos pulmonares, que podem romper e causar pneumotórax. O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica que exige reconhecimento e intervenção imediatos devido ao risco de colapso cardiovascular. O quadro clínico de pneumotórax hipertensivo é caracterizado por dispneia súbita e grave, dor torácica, hipotensão, taquicardia, cianose, desvio da traqueia para o lado contralateral e turgência jugular. Ao exame físico, há abolição do murmúrio vesicular e hiperressonância à percussão no hemitórax afetado. A descompressão imediata com agulha é a primeira medida salvadora, seguida pela drenagem torácica sob selo d'água para permitir a reexpansão pulmonar e a saída contínua de ar. Em casos de pneumotórax recorrente, especialmente em pacientes com doença pulmonar de base como a fibrose cística, é fundamental considerar um tratamento definitivo para prevenir novos episódios. A videotoracoscopia (VATS) com bulectomia (remoção das bolhas pulmonares) e pleurodese (indução de aderência entre as pleuras parietal e visceral) é a abordagem cirúrgica de escolha. A pleurodese pode ser química (com talco ou tetraciclina) ou mecânica (abrasão pleural), visando obliterar o espaço pleural e impedir a recorrência do pneumotórax.
Os sinais incluem dispneia súbita e intensa, dor torácica, taquicardia, hipotensão, desvio traqueal para o lado contralateral, turgência jugular, murmúrio vesicular abolido e hiperressonância à percussão no lado afetado.
A conduta inicial é a descompressão imediata do tórax, geralmente por punção com agulha calibrosa no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular, seguida de drenagem torácica sob selo d'água.
Em pacientes com fibrose cística, o pneumotórax é frequentemente causado pela ruptura de bolhas subpleurais (blebs/bulas). A bulectomia remove essas bolhas e a pleurodese (química ou mecânica) cria aderência entre as pleuras, prevenindo a recorrência do pneumotórax.
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