Pneumotórax Hipertensivo: Descompressão e Ponto ATLS

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 25 anos, foi vítima de agressão durante uma tentativa de assalto, sendo atingido por vários golpes em região torácica. Apresenta vias aéreas pérvias, ausculta pulmonar com murmúrios vesiculares ausentes à esquerda, além de expansibilidade reduzida e hipertimpanismo à esquerda. Frequência respiratória: 28 irpm, frequência cardíaca: 120 bpm, pressão arterial sistêmica: 70 x 40 mmHg, tempo de enchimento capilar 4 segundos, abdome plano, sem cicatrizes, normotimpânico, indolor, FAST (Avaliação Focalizada com Sonografia) negativo, pelve estável, extremidades sem alterações. Foi indicada toracocentese de alívio à esquerda. De acordo com as recomendações atuais do ATLS (Suporte Avançado de Vida no Trauma), assinale a alternativa que apresenta o ponto anatômico recomendado para tal procedimento.

Alternativas

  1. A) 4º espaço intercostal, imediatamente anterior à linha axilar anterior.
  2. B) 4º espaço intercostal, imediatamente posterior à linha axilar média.
  3. C) 5º espaço intercostal, imediatamente anterior à linha axilar média.
  4. D) 5º espaço intercostal, imediatamente posterior à linha axilar média.
  5. E) 6º espaço intercostal, imediatamente posterior à linha mamilar.

Pérola Clínica

Pneumotórax hipertensivo → descompressão imediata: 5º EIC, linha axilar média anterior.

Resumo-Chave

O pneumotórax hipertensivo é uma emergência que causa choque obstrutivo devido ao acúmulo de ar no espaço pleural, colapsando o pulmão e desviando o mediastino. A descompressão imediata com agulha é crucial para aliviar a pressão e restaurar a hemodinâmica, sendo o 5º espaço intercostal na linha axilar média (ou 2º EIC na linha hemiclavicular) os locais recomendados pelo ATLS.

Contexto Educacional

O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica grave, frequentemente associada a trauma torácico, que pode rapidamente levar ao óbito se não for reconhecido e tratado prontamente. Caracteriza-se pelo acúmulo progressivo de ar no espaço pleural, que não consegue escapar, aumentando a pressão intratorácica e causando colapso pulmonar, desvio do mediastino e comprometimento hemodinâmico. É crucial para residentes e estudantes de medicina dominar o reconhecimento e manejo dessa condição. A fisiopatologia envolve um mecanismo de válvula unidirecional, onde o ar entra na cavidade pleural durante a inspiração, mas não consegue sair na expiração, resultando em pressão positiva crescente. Clinicamente, o paciente apresenta dispneia, taquicardia, hipotensão (choque obstrutivo), ausência de murmúrios vesiculares e hipertimpanismo no lado afetado, e desvio de traqueia. O diagnóstico é eminentemente clínico e não deve aguardar confirmação radiológica, pois o atraso no tratamento é fatal. O tratamento definitivo é a descompressão imediata do tórax, inicialmente com uma agulha de grosso calibre (toracocentese de alívio) e, posteriormente, com a inserção de um dreno torácico. O ponto anatômico recomendado pelo ATLS para a descompressão com agulha é o 5º espaço intercostal, na linha axilar média, ou alternativamente, o 2º espaço intercostal, na linha hemiclavicular. A escolha do 5º EIC na linha axilar média é frequentemente preferida devido à menor espessura da parede torácica e menor risco de lesão de estruturas subjacentes.

Perguntas Frequentes

Qual a apresentação clínica do pneumotórax hipertensivo?

O pneumotórax hipertensivo manifesta-se com dispneia progressiva, taquipneia, taquicardia, hipotensão, desvio de traqueia, turgência jugular, murmúrios vesiculares ausentes e hipertimpanismo no lado afetado. É uma causa de choque obstrutivo.

Qual o ponto anatômico recomendado pelo ATLS para a descompressão com agulha?

O ATLS recomenda a descompressão com agulha no 5º espaço intercostal, na linha axilar média, ou no 2º espaço intercostal, na linha hemiclavicular. O 5º EIC na linha axilar média é preferível devido à menor espessura da parede torácica e menor risco de lesão.

Por que a descompressão imediata é crucial no pneumotórax hipertensivo?

A descompressão imediata é vital porque o acúmulo de ar sob pressão no espaço pleural colapsa o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino, comprime o pulmão contralateral e os grandes vasos, levando a choque obstrutivo e parada cardiorrespiratória.

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