HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020
Paciente da entrada no pronto socorro vítima de atropelamento. Na avaliação inicial apresenta pressão arterial 80/40 mmHg, frequência cardíaca 115 bpm, frequência respiratória 30 irm, turgência jugular, ausência de murmúrio vesicular a direita, saturação 85%. Está lucido e responde ao comando verbal. Após ofertar oxigênio a medida seguinte é?
Trauma torácico + hipotensão + turgência jugular + MV abolido → Pneumotórax hipertensivo = Descompressão imediata.
A tríade de hipotensão, turgência jugular e ausência de murmúrio vesicular em paciente traumatizado com hipóxia sugere fortemente pneumotórax hipertensivo. Esta é uma emergência que causa choque obstrutivo e requer descompressão imediata para restaurar o retorno venoso e a ventilação.
O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica grave, frequentemente associada a trauma torácico, que pode levar rapidamente ao choque obstrutivo e à morte se não for prontamente reconhecido e tratado. Caracteriza-se pelo acúmulo progressivo de ar no espaço pleural, que não consegue sair, aumentando a pressão intratorácica, colapsando o pulmão ipsilateral e desviando o mediastino para o lado contralateral, comprometendo o retorno venoso e a função cardíaca. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de hipotensão, turgência jugular e ausência de murmúrio vesicular no lado afetado, acompanhada de taquicardia, taquipneia e hipoxemia. Não se deve aguardar exames de imagem para confirmar o diagnóstico em pacientes instáveis. A fisiopatologia envolve um mecanismo de válvula unidirecional, onde o ar entra na pleura durante a inspiração, mas não consegue sair na expiração. A conduta imediata e salvadora é a descompressão torácica por agulha, realizada no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular do lado afetado. Este procedimento transforma o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, permitindo a estabilização do paciente até que uma drenagem torácica definitiva possa ser realizada. O atraso no tratamento é a principal causa de mortalidade.
Os sinais clássicos incluem hipotensão, taquicardia, taquipneia, turgência jugular, desvio de traqueia (tardio), ausência de murmúrio vesicular no lado afetado e hipoxemia.
A descompressão por agulha é a primeira medida porque o pneumotórax hipertensivo causa choque obstrutivo, comprimindo o coração e grandes vasos. A descompressão alivia a pressão intratorácica, melhorando o retorno venoso e a função cardíaca rapidamente.
O pneumotórax simples geralmente não causa instabilidade hemodinâmica e pode ser manejado com drenagem torácica eletiva. O pneumotórax hipertensivo é uma emergência com instabilidade hemodinâmica e requer descompressão imediata por agulha antes da drenagem definitiva.
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