PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2022
Paciente, 46 anos de idade, sexo masculino, foi vítima de atropelamento em via pública. Atendido pelo SAMU apresentava-se dispnéico, taquicárdico, hipotenso e com dificuldade de fala. À ausculta, foi percebido murmúrio vesicular abolido em hemitórax direito, com timpanismo á percussão, além de perceptível fratura de arco costal á palpação e ingurgitamento das veias jugulares.Diante do quadro, especifique a conduta imediata a ser adotada:
Hipotensão + Jugular túrgida + MV abolido → Pneumotórax Hipertensivo → Punção imediata.
O pneumotórax hipertensivo é um diagnóstico clínico e uma emergência extrema; a descompressão deve preceder qualquer exame de imagem.
O pneumotórax hipertensivo ocorre quando uma lesão pulmonar ou da parede torácica funciona como uma válvula unidirecional, permitindo a entrada de ar no espaço pleural sem saída. Isso eleva a pressão intratorácica, colapsa o pulmão ipsilateral e desvia o mediastino, comprimindo o coração e os grandes vasos, o que reduz drasticamente o retorno venoso e o débito cardíaco. É uma causa reversível de parada cardiorrespiratória no trauma. O tratamento imediato é a descompressão, seguida obrigatoriamente por drenagem em selo d'água.
Os sinais clássicos incluem insuficiência respiratória grave (dispneia, taquipneia), instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), ausência de murmúrio vesicular unilateral, timpanismo à percussão do lado afetado e turgência jugular. O desvio da traqueia para o lado contralateral é um sinal tardio e nem sempre presente. O diagnóstico é estritamente clínico e não deve ser retardado por exames complementares.
Tradicionalmente, o ATLS recomendava o 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular. No entanto, a 10ª edição do ATLS atualizou a recomendação para o 4º ou 5º espaço intercostal, entre a linha axilar anterior e média (mesmo local do dreno), devido à maior espessura da parede torácica em muitos pacientes. Contudo, em provas de residência que seguem versões anteriores ou focam na técnica clássica, a punção no 2º EIC ainda é frequentemente citada como correta.
A descompressão por agulha (toracocentese de alívio) é uma medida temporária para converter um pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, aliviando a pressão intratorácica e restaurando o retorno venoso. Já a drenagem torácica em selo d'água é o tratamento definitivo, obrigatório após a descompressão inicial, para garantir a reexpansão pulmonar completa e a evacuação do ar residual.
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