Pneumotórax Hipertensivo: Diagnóstico e Conduta Imediata no Trauma

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um jovem de 25 anos sofreu um ferimento por arma branca na região toracoabdominal esquerda. Ele apresenta dor no local da lesão, além de sinais de choque. No exame físico, há hipersonoridade no hemitórax esquerdo e ausência de murmúrio vesicular. Qual a conduta imediata a ser adotada em sua reanimação?

Alternativas

  1. A) Inserir uma agulha calibrosa no 5 espaço intercostal, linha axilar média.
  2. B) Realizar tomografia de tórax para confirmar a lesão.
  3. C) Realizar uma toracotomia de emergência.
  4. D) Realizar laparoscopia para avaliar possíveis lesões intra-abdominais.
  5. E) Observar e reavaliar após 30 minutos.

Pérola Clínica

Trauma toracoabdominal + choque + hipersonoridade + MV ausente → Pneumotórax hipertensivo = Toracocentese de alívio.

Resumo-Chave

O quadro de choque, hipersonoridade e ausência de murmúrio vesicular em hemitórax esquerdo após trauma toracoabdominal é altamente sugestivo de pneumotórax hipertensivo. Esta é uma emergência médica que requer descompressão imediata com agulha calibrosa para evitar colapso cardiovascular e óbito.

Contexto Educacional

O trauma toracoabdominal é uma causa comum de morbimortalidade, e a identificação e manejo rápido de lesões com risco de vida são cruciais. O pneumotórax hipertensivo é uma emergência que deve ser prontamente reconhecida e tratada, pois pode levar rapidamente ao choque obstrutivo e à morte se não for descomprimido. O diagnóstico do pneumotórax hipertensivo é eminentemente clínico, baseado na tríade de sinais: choque (hipotensão, taquicardia), hipersonoridade à percussão e abolição do murmúrio vesicular no hemitórax afetado, muitas vezes acompanhado de desvio de traqueia e turgência jugular. A suspeita deve ser alta em pacientes com trauma torácico e deterioração hemodinâmica. A conduta imediata, conforme preconizado pelo ATLS (Advanced Trauma Life Support), é a descompressão com agulha calibrosa (toracocentese de alívio) no 5º espaço intercostal, linha axilar média, ou no 2º espaço intercostal, linha hemiclavicular. Este procedimento é salvador e não deve ser atrasado por exames de imagem. Após a descompressão, a drenagem torácica definitiva deve ser realizada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos do pneumotórax hipertensivo?

Os sinais incluem dispneia intensa, dor torácica, taquicardia, hipotensão (choque), desvio de traqueia (tardio), turgência jugular, hipersonoridade à percussão e abolição do murmúrio vesicular no hemitórax afetado.

Qual a técnica correta para a toracocentese de alívio?

A toracocentese de alívio deve ser realizada com uma agulha calibrosa (ex: jelco 14G) inserida no 5º espaço intercostal, linha axilar média, ou no 2º espaço intercostal, linha hemiclavicular, sobre a borda superior da costela inferior.

Por que o pneumotórax hipertensivo causa choque?

O pneumotórax hipertensivo causa acúmulo de ar sob pressão na cavidade pleural, que comprime o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino, comprime os grandes vasos e o coração, dificultando o retorno venoso e levando a choque obstrutivo.

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