Pneumotórax Hipertensivo: Conduta e Toracostomia Digital

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 28 anos é admitido na unidade de emergência após colisão automobilística lateral de alta energia. O paciente apresenta-se em sofrimento respiratório grave, com frequência respiratória de 36 incursões por minuto e saturação de oxigênio de 84% em máscara com reservatório a 15 L/min. A pressão arterial é de 75/40 mmHg e a frequência cardíaca é de 142 batimentos por minuto. Ao exame físico, observa-se turgência jugular bilateral, desvio de traqueia para a direita, ausência de murmúrio vesicular à esquerda e hipertimpanismo à percussão do mesmo hemotórax. A equipe do resgate relata que realizou uma tentativa de descompressão por agulha com cateter 14G no segundo espaço intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular, sem melhora do quadro clínico ou saída de ar audível. Qual a conduta imediata mais adequada neste momento?

Alternativas

  1. A) Proceder à intubação orotraqueal com sequência rápida de indução para controle definitivo da via aérea.
  2. B) Realizar pericardiocentese de urgência guiada por ultrassonografia devido à suspeita de tamponamento cardíaco.
  3. C) Solicitar radiografia de tórax no leito para confirmar o diagnóstico antes de nova intervenção invasiva.
  4. D) Realizar toracostomia digital imediata no quinto espaço intercostal esquerdo, entre as linhas axilar anterior e média.

Pérola Clínica

Hipotensão + Turgência jugular + Murmúrio ausente → Pneumotórax Hipertensivo → Toracostomia Digital.

Resumo-Chave

O pneumotórax hipertensivo é um diagnóstico clínico e uma emergência com risco de vida imediato por choque obstrutivo; a falha na descompressão por agulha exige toracostomia digital imediata.

Contexto Educacional

O pneumotórax hipertensivo ocorre quando um mecanismo de válvula unidirecional permite a entrada de ar no espaço pleural sem saída, elevando a pressão intratorácica. Isso causa colapso pulmonar ipsilateral e compressão do mediastino e do pulmão contralateral, reduzindo drasticamente o retorno venoso e o débito cardíaco. O tratamento deve ser imediato e clínico. Segundo o ATLS 10, em pacientes adultos instáveis com falha de descompressão por agulha ou em ambiente hospitalar, a toracostomia digital no 5º EIC (entre as linhas axilar anterior e média) é a manobra de escolha.

Perguntas Frequentes

Por que a descompressão por agulha pode falhar no pneumotórax hipertensivo?

A falha pode ocorrer devido à espessura da parede torácica, que impede que o cateter atinja a cavidade pleural, ou por acotovelamento/obstrução do cateter. O ATLS 10ª edição agora recomenda o 5º espaço intercostal (linha axilar média) como local preferencial para agulhas longas, mas em ambiente hospitalar, a toracostomia digital é mais confiável e definitiva para o alívio da pressão.

Qual a diferença entre toracostomia digital e drenagem de tórax?

A toracostomia digital é a abertura cirúrgica da pleura com o dedo para descompressão imediata de ar ou sangue. Ela precede a inserção do dreno de tórax (drenagem tubular), garantindo o alívio imediato da pressão intratorácica e do choque obstrutivo antes mesmo da fixação do sistema de drenagem em selo d'água.

Quais os sinais clássicos do pneumotórax hipertensivo?

A tríade clássica inclui desvio da traqueia (sinal tardio), turgência jugular (devido ao impedimento do retorno venoso) e ausência de sons respiratórios com hipertimpanismo no lado afetado, acompanhados de instabilidade hemodinâmica (hipotensão e taquicardia), caracterizando o choque obstrutivo.

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