UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2024
Paciente masculino, jovem e previamente hígido, vítima de acidente automobilístico, sem uso de cinto de segurança, ejetado do veículo, deu entrada gravíssimo à unidade de emergência, trazido pelo SAMU já intubado, apresentando enfisema subcutâneo em tórax, desvio traqueal para a esquerda, turgência jugular e murmúrio vesicular abolido em hemitórax direito, frequência cardíaca de 148bpm, pressão arterial de 88/52mmHg. Assinale a alternativa correta:
Pneumotórax hipertensivo (enfisema, desvio traqueal, turgência, MV abolido, choque) → Descompressão por agulha imediata.
O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica que causa choque obstrutivo devido à compressão de grandes vasos e coração. A descompressão imediata com agulha é crucial para aliviar a pressão intratorácica e restaurar a hemodinâmica, sendo uma medida salvadora de vida antes da drenagem definitiva.
O pneumotórax hipertensivo é uma condição de risco iminente à vida que ocorre quando o ar entra no espaço pleural, mas não consegue sair, levando a um acúmulo progressivo de pressão. Essa pressão comprime o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino para o lado contralateral, comprometendo o retorno venoso ao coração e a função cardíaca, resultando em choque obstrutivo. É uma das lesões "killer" do trauma torácico, exigindo reconhecimento e intervenção imediatos. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade clássica de desvio traqueal, turgência jugular e murmúrio vesicular abolido no hemitórax afetado, acompanhados de sinais de choque. A radiografia de tórax não deve atrasar a intervenção. A fisiopatologia envolve um mecanismo de válvula unidirecional, onde o ar entra na pleura durante a inspiração, mas não consegue sair na expiração, aumentando a pressão intratorácica. A conduta prioritária é a descompressão imediata do tórax por agulha (toracostomia de alívio), que converte o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, permitindo a estabilização hemodinâmica. Após a descompressão, deve-se proceder à drenagem torácica com dreno pleural para tratamento definitivo. O local para a descompressão por agulha pode ser o 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou o 5º espaço intercostal na linha axilar média, sendo este último cada vez mais recomendado devido à maior espessura da parede torácica em alguns pacientes.
Os sinais incluem desvio traqueal, turgência jugular, murmúrio vesicular abolido no lado afetado, enfisema subcutâneo, taquicardia e hipotensão (choque obstrutivo).
É prioritária porque alivia imediatamente a pressão intratorácica que comprime o coração e grandes vasos, revertendo o choque obstrutivo e estabilizando o paciente antes de um dreno de tórax definitivo.
Tradicionalmente, no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular. No entanto, o ATLS mais recente também sugere o 5º espaço intercostal na linha axilar média, que pode ser mais seguro e eficaz.
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