HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, 37 anos, vítima de colisão moto x anteparo veio trazido pelo SAMU em colar e prancha rígida com histórico de perda da consciência no local, hálito etílico, agressivo e contido. O enfermeiro do transporte relata que os sinais vitais estavam estáveis no local, mas ele se tornou agressivo, agitado e mais taquipneico no trajeto. Relata ainda que houve grande deformidade da motocicleta conduzida pelo paciente. Ao exame inicial você encontra vias aéreas pérvias, murmúrio vesicular abolido no hemitórax direito e turgência jugular. Ausculta cardíaca normal. Qual a melhor conduta neste momento?
Trauma torácico + MV abolido + turgência jugular + taquipneia → Pneumotórax Hipertensivo = Toracocentese de alívio imediata.
O quadro clínico de murmúrio vesicular abolido, turgência jugular e taquipneia em um paciente politraumatizado com mecanismo de alta energia é altamente sugestivo de pneumotórax hipertensivo, uma emergência que exige descompressão imediata para evitar colapso cardiovascular.
O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica que ocorre quando o ar entra no espaço pleural, mas não consegue sair, levando a um acúmulo progressivo de pressão. Essa pressão comprime o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino para o lado contralateral, prejudicando o retorno venoso ao coração e causando choque obstrutivo. É uma das causas de morte evitáveis no trauma. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado em achados como dispneia progressiva, taquipneia, murmúrio vesicular abolido no hemitórax afetado, turgência jugular, desvio de traqueia (sinal tardio) e hipotensão. Em pacientes agitados ou com hálito etílico, a avaliação pode ser mais desafiadora, mas a suspeita deve ser alta em traumas de alta energia. A conduta imediata e salvadora é a toracocentese de alívio (descompressão com agulha), que transforma o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, permitindo a estabilização do paciente. Após a descompressão, a drenagem torácica com um dreno de tórax é necessária para a remoção completa do ar e reexpansão pulmonar.
Os sinais incluem murmúrio vesicular abolido no lado afetado, turgência jugular, desvio de traqueia (tardio), taquipneia, taquicardia e hipotensão (choque obstrutivo).
A conduta inicial é a descompressão imediata por toracocentese de alívio (punção com agulha calibrosa) no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou 5º espaço na linha axilar anterior, seguida de drenagem torácica definitiva.
A toracocentese de alívio descomprime rapidamente o espaço pleural, revertendo o aumento da pressão intratorácica que comprime o coração e os grandes vasos, prevenindo o choque obstrutivo e a parada cardiorrespiratória.
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