SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025
Leia o caso a seguir: E.N.S.P, feminino, 24 anos, sem comorbidades, dá entrada no pronto atendimento do Hospital de Urgências, trazida pelo serviço de resgate, após colisão moto x anteparo fixo. Ao exame: via área pérvia, com tubo orotraqueal n 7,5, na rima labial 22, em prancha rígida e com colar cervical. Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular reduzido à direita, com percussão timpânica ipsilateral. Ausculta cardíaca: ritmo cardíaco regular, dois tempos, sem sopros. FC: 109, PA: 55x40 mmHg. Glasgow 6, pupilas isofotorreagentes. Ausência de lesões expostas à ectoscopia. E-fast demonstra ausência de Lung slide e Lung pulse à direita. Frente ao caso em questão, qual a conduta adequada?
Choque + Murmúrio ↓ + Timpanismo + E-FAST (-) → Punção imediata + Dreno de tórax.
O pneumotórax hipertensivo é um diagnóstico clínico de choque obstrutivo que exige descompressão imediata para restaurar o retorno venoso antes da drenagem definitiva.
O pneumotórax hipertensivo ocorre quando uma lesão pulmonar ou da parede torácica funciona como uma válvula unidirecional, permitindo a entrada de ar no espaço pleural durante a inspiração, mas impedindo sua saída. Isso gera um aumento progressivo da pressão intratorácica. No manejo do trauma (ABCDE), esta condição é classificada no 'B' (Breathing), mas suas repercussões hemodinâmicas são críticas. O uso do E-FAST (Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma) auxilia no diagnóstico ao demonstrar a ausência de deslizamento pleural (lung slide). A conduta é estritamente sequencial: descompressão imediata (transformando o pneumotórax hipertensivo em simples) seguida obrigatoriamente por drenagem torácica fechada em selo d'água.
Os sinais clássicos incluem insuficiência respiratória grave, hipotensão (choque obstrutivo), ausência ou redução do murmúrio vesicular unilateral, timpanismo à percussão e, em fases tardias, desvio da traqueia e turgência jugular. No contexto do trauma, a tríade de hipotensão, murmúrio reduzido e timpanismo é altamente sugestiva e autoriza a intervenção imediata.
De acordo com as atualizações mais recentes do ATLS (10ª edição), a descompressão por agulha em adultos deve ser preferencialmente realizada no 5º espaço intercostal, entre a linha axilar anterior e média. Alternativamente, o 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular pode ser utilizado, embora a espessura da parede torácica nessa região possa dificultar o sucesso do procedimento em alguns pacientes.
O acúmulo de ar sob pressão no espaço pleural causa o colapso do pulmão ipsilateral e o desvio do mediastino para o lado oposto. Esse desvio comprime as veias cavas, reduzindo drasticamente o retorno venoso ao coração direito. A queda na pré-carga resulta em baixo débito cardíaco e choque obstrutivo, que pode evoluir rapidamente para parada cardiorrespiratória se não aliviado.
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