SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Após receber uma facada no hemitórax direito, sobre o mamilo, um homem de cerca de cinquenta anos de idade foi levado ao hospital. Chegou lá em franca insuficiência respiratória. Ele conseguia respirar sem ruídos, mas tinha frequência respiratória de 50 ipm, murmúrio vesicular abolido do lado direito (percussão timpânica) e o oxímetro de pulso apontava saturação de 72%. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta a ser realizada primeiro.
Trauma torácico + MV abolido + percussão timpânica + IR grave → Punção de alívio (pneumotórax hipertensivo).
Um paciente com trauma torácico penetrante, insuficiência respiratória grave, murmúrio vesicular abolido e percussão timpânica no hemitórax afetado, com hipoxemia, tem um quadro clínico compatível com pneumotórax hipertensivo. A conduta inicial e salvadora é a descompressão imediata por agulha para aliviar a pressão intratorácica.
O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica com risco de vida, caracterizada pelo acúmulo progressivo de ar no espaço pleural sob pressão positiva, levando ao colapso pulmonar ipsilateral, desvio do mediastino e compressão do pulmão contralateral e grandes vasos. Geralmente ocorre após trauma torácico penetrante ou contuso, mas também pode ser uma complicação de ventilação mecânica. O reconhecimento rápido é crucial, pois a condição pode levar rapidamente a choque obstrutivo e parada cardiorrespiratória. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de dispneia grave, murmúrio vesicular abolido e hiperressonância à percussão no hemitórax afetado, acompanhados de sinais de instabilidade hemodinâmica e desvio traqueal. A saturação de oxigênio baixa e a taquipneia acentuada reforçam a gravidade. Não se deve aguardar a confirmação radiológica em um paciente instável, pois o atraso na intervenção é fatal. A conduta inicial e salvadora é a descompressão por agulha, que transforma o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, permitindo a reexpansão pulmonar e a melhora hemodinâmica. Após a descompressão, a drenagem torácica em selo d'água deve ser realizada para tratamento definitivo. O atendimento segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a avaliação e manejo das vias aéreas, respiração e circulação.
Os sinais incluem dispneia progressiva, taquipneia, dor torácica, hipotensão, taquicardia, desvio da traqueia para o lado contralateral, turgência jugular, murmúrio vesicular abolido e hiperressonância à percussão no lado afetado.
A punção de alívio pode ser realizada no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular ou no quinto espaço intercostal entre as linhas axilares média e anterior, utilizando um cateter calibroso.
O pneumotórax hipertensivo é um diagnóstico clínico e uma emergência com risco de vida. A espera pela radiografia de tórax pode atrasar a descompressão e levar à morte do paciente, sendo a intervenção imediata prioritária.
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