Pneumotórax Hipertensivo: Conduta Imediata no Trauma

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024

Enunciado

Homem, 25 anos de idade, vítima de acidente motociclístico, dá entrada no PS com politraumatismo. Exame físico: pressão arterial 90/50 mmHg, frequência cardíaca = 115 bpm, frequência respiratória = 25 irpm, murmúrio vesicular abolido à direita, fratura exposta de fêmur à direita com grande desvio. Escala de coma de Glasgow 10. Baseado no diagnóstico com risco iminente à vida do paciente, qual é a primeira conduta?

Alternativas

  1. A) Punção pericárdica.
  2. B) Intubação oro traqueal.
  3. C) Drenagem pleural à direita.
  4. D) Protocolo de transfusão maciça.

Pérola Clínica

Politraumatizado + MV abolido + instabilidade hemodinâmica → Pneumotórax hipertensivo = Drenagem pleural imediata (prioridade A do ATLS).

Resumo-Chave

Em um paciente politraumatizado com instabilidade hemodinâmica e murmúrio vesicular abolido, a principal suspeita é pneumotórax hipertensivo, uma condição com risco iminente à vida. A conduta inicial e prioritária, conforme o ATLS, é a descompressão imediata do tórax, geralmente por drenagem pleural.

Contexto Educacional

O politraumatismo é uma das principais causas de mortalidade e morbidade em jovens adultos, exigindo uma abordagem sistemática e rápida. O protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support) estabelece uma sequência de prioridades para o manejo do paciente traumatizado, começando pela avaliação e manejo da via aérea, respiração, circulação, disfunção neurológica e exposição. Identificar e tratar condições com risco iminente à vida é a chave para a sobrevida do paciente. O pneumotórax hipertensivo é uma emergência torácica que deve ser reconhecida e tratada imediatamente. Ele ocorre quando o ar entra na cavidade pleural durante a inspiração, mas não consegue sair durante a expiração, levando a um acúmulo progressivo de ar e aumento da pressão intratorácica. Isso resulta em colapso pulmonar, desvio mediastinal, compressão do coração e grandes vasos, e consequente choque obstrutivo. Os sinais clássicos incluem hipotensão, taquicardia, dispneia, desvio de traqueia e ausência de murmúrio vesicular. A conduta inicial para o pneumotórax hipertensivo é a descompressão imediata do tórax. Embora a toracocentese de alívio possa ser realizada como medida temporária, a drenagem pleural com um dreno de tórax é o tratamento definitivo. É crucial não atrasar essa intervenção para realizar exames de imagem, pois a condição é um diagnóstico clínico. A intubação orotraqueal e o manejo de outras lesões, como fraturas, são importantes, mas secundários à estabilização da respiração e circulação comprometidas pelo pneumotórax hipertensivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de pneumotórax hipertensivo em um paciente traumatizado?

Os sinais incluem dispneia progressiva, dor torácica, taquicardia, hipotensão, desvio da traqueia para o lado contralateral, distensão das veias do pescoço, e ausência ou diminuição do murmúrio vesicular no lado afetado. A instabilidade hemodinâmica é um achado crítico.

Por que o pneumotórax hipertensivo é uma emergência com risco iminente à vida?

No pneumotórax hipertensivo, o ar entra na cavidade pleural e não consegue sair, aumentando a pressão intratorácica. Isso comprime o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino (incluindo o coração e os grandes vasos) para o lado oposto, comprometendo o retorno venoso ao coração e levando a choque obstrutivo e parada cardiorrespiratória.

Qual a primeira conduta para tratar um pneumotórax hipertensivo?

A primeira conduta é a descompressão imediata do tórax. Isso pode ser feito inicialmente com uma toracocentese de alívio (punção com agulha no 2º espaço intercostal, linha hemiclavicular) e, em seguida, a drenagem pleural definitiva com um dreno de tórax no 5º espaço intercostal, linha axilar média ou anterior.

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