Pneumotórax Hipertensivo no Trauma: Diagnóstico e Manejo ATLS

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 22 anos do sexo masculino sofreu acidente de moto e chega ao pronto socorro trazido pelo Samu. Na sua chegada, apresentava rebaixamento do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow = 06). Observava-se que a via aérea estava pérvia, mas apresentava taquicardia (frequência cardíaca de 150 bpm) e hipotensão arterial (PA = 80/40 mmHg). Na ausculta pulmonar, o murmúrio vesicular estava abolido à direita associado a hipertimpanismo do mesmo lado. O abdome estava flácido e plano. Não apresentava sinais clínicos de fraturas de bacia e nem de membros superiores e inferiores. Seguindo o protocolo do ATLS, a primeira conduta nesse caso é:

Alternativas

  1. A) Colocar 2 acessos calibrosos para hidratação vigorosa com cristaloide.
  2. B) Fazer um raio x de tórax.
  3. C) Colocar uma agulha calibrosa na cavidade pleural à direita.
  4. D) Imediata intubação orotraqueal.

Pérola Clínica

Trauma torácico + hipotensão + MV abolido + hipertimpanismo = pneumotórax hipertensivo → descompressão imediata.

Resumo-Chave

O quadro clínico de rebaixamento de consciência, taquicardia, hipotensão, murmúrio vesicular abolido e hipertimpanismo à direita em um paciente traumatizado é altamente sugestivo de pneumotórax hipertensivo, uma condição que causa choque obstrutivo e exige descompressão imediata como primeira medida salvadora de vida, conforme o ATLS.

Contexto Educacional

O trauma é uma das principais causas de mortalidade e morbidade, especialmente em jovens. O Advanced Trauma Life Support (ATLS) é o padrão ouro para o manejo inicial do paciente traumatizado, priorizando a identificação e tratamento de lesões que ameaçam a vida. O pneumotórax hipertensivo é uma dessas condições, caracterizada pelo acúmulo progressivo de ar na cavidade pleural sob pressão positiva, que colaba o pulmão ipsilateral e desvia o mediastino, comprometendo o retorno venoso e a ventilação do pulmão contralateral. O diagnóstico de pneumotórax hipertensivo é clínico e deve ser suspeitado em pacientes com trauma torácico que apresentam hipotensão, taquicardia, dispneia, ausência de murmúrio vesicular e hipertimpanismo no lado afetado. A intervenção é uma emergência médica e não deve esperar por confirmação radiológica. A descompressão imediata por agulha é a medida salvadora de vida, transformando o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, que pode ser tratado posteriormente com drenagem torácica. Para residentes, a capacidade de reconhecer rapidamente e intervir em um pneumotórax hipertensivo é crucial. A priorização correta das condutas na avaliação primária do ATLS (ABCDE) é fundamental para a sobrevida do paciente. A intubação, embora importante para a via aérea, não resolverá o choque obstrutivo causado pela pressão intratorácica, e a hidratação vigorosa pode até piorar a situação ao aumentar a pressão venosa central contra um coração já comprimido.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos de pneumotórax hipertensivo no trauma?

Os sinais clássicos incluem hipotensão, taquicardia, desvio de traqueia (tardio), turgência jugular (pode estar ausente em hipovolêmicos), murmúrio vesicular abolido e hipertimpanismo no lado afetado.

Por que a descompressão por agulha é a primeira conduta no pneumotórax hipertensivo?

É a primeira conduta porque o pneumotórax hipertensivo causa choque obstrutivo, comprimindo o coração e grandes vasos, impedindo o enchimento cardíaco. A descompressão alivia essa pressão imediatamente, salvando a vida do paciente.

Qual o local correto para a descompressão torácica por agulha?

O local recomendado é o segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular ou o quinto espaço intercostal na linha axilar média, no lado afetado, utilizando uma agulha calibrosa (ex: jelco 14G ou 16G).

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