SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Um paciente foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) à emergência de um hospital com história de atropelamento há alguns minutos. Ao exame físico, o paciente apresenta FC =110 bpm, FR = 28 irpm, SatO2 = 90% e PA = 100 mmHg x 75 mmHg. Ao ser questionado, apenas verbaliza algumas palavras sem sentido, e demonstra abertura ocular à dor e resposta motora de flexão anormal. A ausculta respiratória indica murmúrio vesicular ausente à direita e normais à esquerda. Exames cardiovascular e abdominal não há alterações. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.A radiografia de tórax se faz necessária para confirmação do diagnóstico de hemopneumotórax.
Instabilidade hemodinâmica + MV ausente → Diagnóstico clínico. NÃO aguarde RX!
No trauma, o pneumotórax hipertensivo é um diagnóstico clínico e uma emergência com risco de morte. A realização de exames de imagem em pacientes instáveis atrasa o tratamento definitivo.
O manejo do trauma torácico segue as diretrizes do ATLS, priorizando a identificação de lesões que ameaçam a vida durante o 'B' (Breathing) e 'C' (Circulation). O pneumotórax hipertensivo ocorre quando o ar entra no espaço pleural mas não consegue sair, aumentando a pressão intratorácica e desviando o mediastino. Isso comprime a veia cava, reduzindo o pré-carga e gerando choque obstrutivo. O reconhecimento rápido através da ausculta e palpação, associado aos sinais vitais, é uma competência crítica para residentes em emergência e cirurgia.
Os sinais clássicos incluem dor torácica, dispneia, taquipneia, ausência ou diminuição importante do murmúrio vesicular ipsilateral, hipertimpanismo à percussão, desvio da traqueia para o lado contralateral e turgência jugular. No contexto de trauma, a associação com hipotensão e taquicardia configura choque obstrutivo, exigindo intervenção imediata.
A radiografia de tórax é contraindicada porque o pneumotórax hipertensivo causa colapso cardiovascular rápido devido à redução do retorno venoso. O tempo gasto para realizar o exame pode ser fatal. O tratamento (descompressão por agulha ou toracostomia) deve preceder qualquer imagem em pacientes com instabilidade hemodinâmica.
A conduta imediata é a descompressão torácica. Segundo o ATLS 10, pode-se realizar a descompressão por agulha no 5º espaço intercostal, linha axilar média, seguida obrigatoriamente por drenagem torácica em selo d'água. Em muitos centros, a toracostomia digital imediata é preferida se o cirurgião estiver disponível.
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