Pneumotórax Hipertensivo: Conduta Imediata no Trauma Torácico

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 38 anos, vítima de acidente automobilístico, dá entrada no Pronto-Socorro referindo dor torácica importante. Exame físico: sudoreico, taquipneico, FC: 125 bpm, PA: 80 x 50 mmHg, turgência jugular, escoriação e crepitação à palpação do 4º e 5º arcos costais à esquerda, ausência de murmúrio vesicular em hemitórax esquerdo e bulhas rítmicas normofonéticas a dois tempos.Nesse caso, a conduta a ser adotada deve ser:

Alternativas

  1. A) intubação orotraqueal.
  2. B) pericardiocentese.
  3. C) toracostomia com drenagem pleural fechada.
  4. D) toracocentese de alívio.

Pérola Clínica

Trauma torácico + hipotensão + turgência jugular + ausência MV unilateral → Pneumotórax hipertensivo = Descompressão por agulha imediata.

Resumo-Chave

O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica que causa choque obstrutivo. A descompressão por agulha (toracocentese de alívio) é a conduta inicial salvadora de vida, antes mesmo da drenagem torácica definitiva, para aliviar a pressão intratorácica.

Contexto Educacional

O trauma torácico é uma das principais causas de morbimortalidade em vítimas de acidentes, e o pneumotórax hipertensivo é uma emergência que exige reconhecimento e intervenção imediatos. Ele ocorre quando o ar entra no espaço pleural, mas não consegue sair, criando uma pressão positiva progressiva que colapsa o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino para o lado contralateral, comprime os grandes vasos e o coração, resultando em choque obstrutivo. O quadro clínico é dramático e inclui dispneia intensa, dor torácica, taquicardia, hipotensão, turgência jugular (devido à compressão da veia cava superior), ausência ou diminuição do murmúrio vesicular no hemitórax afetado e, em casos avançados, desvio de traqueia. A crepitação à palpação dos arcos costais sugere fratura, que pode ser a causa do pneumotórax. A conduta inicial para o pneumotórax hipertensivo é a descompressão por agulha (toracocentese de alívio), que é um procedimento salvador de vida. Ela deve ser realizada sem demora, antes mesmo da confirmação radiológica, no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou no 4º/5º espaço intercostal na linha axilar média/anterior. Após o alívio imediato da pressão, a conduta definitiva é a toracostomia com drenagem pleural fechada para permitir a reexpansão pulmonar e evitar a recorrência do pneumotórax.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos do pneumotórax hipertensivo?

Os sinais clássicos incluem dispneia intensa, dor torácica, taquicardia, hipotensão, turgência jugular, desvio de traqueia (tardio), ausência ou diminuição do murmúrio vesicular no lado afetado e hiper-ressonância à percussão.

Qual a diferença entre pneumotórax simples e hipertensivo?

No pneumotórax simples, o ar entra no espaço pleural, mas não há acúmulo progressivo de pressão. No hipertensivo, um mecanismo de válvula unidirecional permite a entrada de ar na pleura durante a inspiração, mas impede sua saída, levando a um aumento progressivo da pressão intratorácica, colapso pulmonar, desvio mediastinal e comprometimento hemodinâmico.

Onde deve ser realizada a toracocentese de alívio para pneumotórax hipertensivo?

A toracocentese de alívio deve ser realizada no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou no 4º/5º espaço intercostal na linha axilar média/anterior, utilizando um cateter de grosso calibre (ex: jelco 14G ou 16G) acoplado a uma seringa com água para observar a saída de ar.

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