Pneumotórax Hipertensivo: Diagnóstico Clínico e Conduta

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Paciente masculino, 6 anos, vítima de acidente automobilístico, está em atendimento na sala de politrauma. Apresenta quadro de taquipneia, hipotensão, desvio da traqueia para o lado direito, murmúrio vesicular abolido, com hipertimpanismo e aumento do volume do hemitórax à esquerda, sem movimentos respiratórios desse lado, com distensão de veias cervicais. Considerando o caso clínico, responda aos itens.[A] Qual é o diagnóstico mais provável? [B] Qual é a conduta imediata nesse caso? 

Alternativas

Pérola Clínica

Hipotensão + Murmúrio abolido + Hipertimpanismo + Desvio traqueal = Pneumotórax Hipertensivo.

Resumo-Chave

O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica com diagnóstico clínico. A conduta deve ser imediata para evitar o colapso cardiovascular por choque obstrutivo.

Contexto Educacional

O pneumotórax hipertensivo ocorre quando uma lesão pulmonar ou da parede torácica funciona como uma válvula unidirecional, permitindo a entrada de ar no espaço pleural durante a inspiração, mas impedindo sua saída na expiração. Isso leva ao colapso do pulmão ipsilateral e ao desvio do mediastino, comprimindo o pulmão contralateral e as grandes veias (cava superior e inferior), resultando em choque obstrutivo. No contexto do trauma pediátrico, a parede torácica é mais complacente, o que pode tornar o desvio de estruturas mediastinais mais rápido e dramático. O reconhecimento precoce baseado na clínica (inspeção, palpação, percussão e ausculta) é o pilar do suporte avançado de vida no trauma (ATLS), priorizando a intervenção imediata (descompressão) antes de qualquer exame radiológico, que é contraindicado na suspeita clínica de hipertensão pleural.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica do pneumotórax hipertensivo?

Embora não seja uma tríade formal única, os sinais clássicos incluem: ausência ou diminuição importante do murmúrio vesicular unilateral, hipertimpanismo à percussão e instabilidade hemodinâmica (hipotensão/choque). Sinais adicionais como desvio da traqueia para o lado contralateral e turgência jugular (distensão das veias cervicais) reforçam o diagnóstico, indicando aumento da pressão intratorácica e prejuízo ao retorno venoso. Em crianças, a turgência jugular pode ser difícil de visualizar devido ao pescoço curto.

Onde realizar a descompressão por agulha?

De acordo com as atualizações do ATLS (10ª edição), a descompressão por agulha em adultos deve ser feita preferencialmente no 5º espaço intercostal, na linha axilar média (mesmo local do dreno). Em crianças, o 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ainda é frequentemente utilizado devido à espessura da parede torácica. Deve-se usar um cateter de grosso calibre (14-16G) para permitir a saída do ar sob pressão e converter o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples.

Qual a conduta definitiva após a descompressão?

A descompressão por agulha é uma medida temporária e salvadora de vida. A conduta definitiva obrigatória após a estabilização inicial é a toracostomia com drenagem pleural fechada (selo d'água). O dreno de tórax deve ser inserido no 5º espaço intercostal, entre a linha axilar média e anterior, garantindo a reexpansão pulmonar completa e a evacuação de ar ou sangue residual. O sucesso da manobra é confirmado pela melhora imediata da ventilação e estabilização da pressão arterial.

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