SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Homem, 35 anos, vítima de colisão motociclística em alta velocidade, chega ao pronto-socorro consciente, falando, cianótico e com intensa dispneia. Apresenta FC - 140 bpm, PA - 80x40 mmHg e saturação periférica de O2 em 70%. À ausculta, murmúrio vesicular está abolido à direita, e a percussão revela hipersonoridade no mesmo hemitórax. Sobre a conduta no caso apresentado, assinale a alternativa correta:
Hipotensão + Ausculta ↓ + Hipersonoridade → Pneumotórax Hipertensivo → Descompressão Imediata.
O pneumotórax hipertensivo causa choque obstrutivo por desvio do mediastino e redução do retorno venoso; o diagnóstico é clínico e o tratamento é imediato.
O pneumotórax hipertensivo ocorre quando uma lesão funciona como uma válvula unidirecional, permitindo a entrada de ar no espaço pleural mas impedindo sua saída. Isso eleva a pressão intratorácica, colapsando o pulmão ipsilateral e desviando o mediastino. O resultado é uma queda drástica no retorno venoso e no débito cardíaco, caracterizando um choque obstrutivo. O diagnóstico deve ser estritamente clínico no ambiente de trauma, e a intervenção (descompressão) não deve ser retardada por exames de imagem.
A tríade clássica envolve ausência de murmúrio vesicular unilateral, hipersonoridade à percussão e sinais de choque (hipotensão e taquicardia). Outros sinais importantes incluem desvio da traqueia para o lado oposto e turgência jugular, embora este último possa estar ausente em pacientes hipovolêmicos.
De acordo com o ATLS 10ª edição, a descompressão por agulha em adultos deve ser preferencialmente realizada no 5º espaço intercostal, entre a linha axilar anterior e média. Alternativamente, o 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular pode ser utilizado, embora a espessura da parede torácica possa dificultar o sucesso nesse local.
Neste caso, o paciente apresenta sinais de choque obstrutivo. A infusão de fluidos não resolverá a causa base, que é a compressão das veias cavas e do coração pelo desvio do mediastino. A prioridade é aliviar a pressão intratorácica para restaurar o débito cardíaco.
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