MedEvo Simulado — Prova 2026
Tiago, 34 anos, é levado à unidade de emergência após sofrer colisão frontal de automóvel contra anteparo fixo em alta velocidade. No momento do acidente, o paciente não utilizava cinto de segurança e houve impacto direto do tórax contra o volante. Durante a avaliação primária, o paciente apresenta-se agitado e dispneico. Ao exame físico, observa-se desvio da traqueia para o lado esquerdo, ausência de murmúrio vesicular em todo o hemitórax direito, turgência jugular bilateral e timpanismo à percussão à direita. Analise a imagem ao lado que contém os sinais vitais aferidos no momento da admissão. Com base no quadro clínico e nos dados apresentados, a hipótese diagnóstica mais provável é:
Hipotensão + Turgência Jugular + Murmúrio Abolido + Timpanismo = Pneumotórax Hipertensivo.
O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica onde o ar entra no espaço pleural mas não sai, criando um mecanismo de válvula que desvia o mediastino e colapsa o retorno venoso, levando ao choque obstrutivo.
O pneumotórax hipertensivo representa uma das causas de morte evitável no trauma (o 'B' do ABCDE do ATLS). Fisiopatologicamente, o acúmulo de ar no espaço pleural aumenta a pressão intratorácica a ponto de comprimir o pulmão ipsilateral e desviar o mediastino. Esse desvio angula as veias cavas, reduzindo drasticamente a pré-carga cardíaca, o que caracteriza um estado de choque obstrutivo. O diagnóstico é eminentemente clínico. A agitação do paciente (Tiago, 34 anos) reflete a hipóxia e a má perfusão cerebral. A presença de turgência jugular e desvio de traqueia são sinais tardios, mas altamente sugestivos quando associados ao timpanismo e abolição do murmúrio vesicular. A intervenção não pode ser retardada por exames complementares; a descompressão imediata salva vidas ao restaurar o retorno venoso e a estabilidade hemodinâmica antes da drenagem definitiva.
Os sinais clássicos incluem desconforto respiratório grave (dispneia, taquipneia), desvio da traqueia para o lado contralateral à lesão, ausência ou diminuição acentuada do murmúrio vesicular no lado afetado, timpanismo (hiperressonância) à percussão e sinais de choque obstrutivo, como hipotensão e turgência jugular. A turgência jugular ocorre porque a pressão intratorácica elevada impede o retorno venoso para o átrio direito. Em pacientes hipovolêmicos, a turgência jugular pode estar ausente, o que torna o diagnóstico ainda mais dependente da ausculta e percussão.
A principal diferença no exame físico reside na percussão do tórax. No pneumotórax hipertensivo, o espaço pleural está preenchido por ar sob pressão, gerando timpanismo (som claro/hiperressonante). No hemotórax maciço, o espaço está preenchido por sangue, o que gera macicez à percussão. Além disso, no hemotórax maciço, as veias jugulares costumam estar colapsadas devido à hipovolemia grave, enquanto no pneumotórax hipertensivo elas costumam estar túrgidas devido ao impedimento do retorno venoso (choque obstrutivo).
A conduta deve ser imediata e baseada na clínica, sem aguardar exames de imagem. O tratamento inicial é a descompressão torácica. Segundo o ATLS 10ª edição, em adultos, a descompressão por agulha (toracocentese) deve ser feita com um cateter longo no 5º espaço intercostal, entre a linha axilar anterior e média. Em crianças, ainda se prefere o 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular. Após a descompressão por agulha, que transforma o pneumotórax hipertensivo em simples, é obrigatória a realização da drenagem torácica em selo d'água (toracostomia com dreno).
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