UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020
Menino de 5 anos de idade, vitima de acidente automobilístico, chega ao Pronto Socorro, com relato de que estava sentado no banco de trás, sem cinto de segurança, sendo projetado para o banco da frente. Ao exame: sonolento, pálido, hidratado limítrofe, taquidispneico. Pólo cefálico: sem alterações; OF: ndn; Ap: MV abolido a direita e presente, sem ruídos adventícios a esquerda; Hipertimpanismo a percussão do lado direito Tórax assimétrico; AC: BCNF, RCR 2t s/s. FC; 160 bpm; Pulsos periféricos finos e enchimento capilar de 4 segundos; PA: 70 x 40 mmhg; ABd: depressível, rha +, indolor; Descompressão brusca negativo; SN: ECG 10; Pupilas isocoricas e fotoreagentes. Sem sinais de fraturas A opção de tratamento mais adequada para o caso acima é:
Trauma torácico + MV abolido + hipertimpanismo + choque → Pneumotórax hipertensivo = Toracocentese de alívio.
O quadro clínico de sonolência, taquidispneia, MV abolido, hipertimpanismo à direita, tórax assimétrico, hipotensão e taquicardia em uma criança traumatizada é altamente sugestivo de pneumotórax hipertensivo, uma emergência que requer descompressão imediata com toracocentese de alívio para salvar a vida.
O trauma pediátrico é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e o acidente automobilístico é um mecanismo comum. No atendimento inicial ao trauma, a avaliação rápida e a identificação de lesões com risco de vida são cruciais. O pneumotórax hipertensivo é uma emergência torácica que pode levar rapidamente ao choque obstrutivo e à morte se não for tratado de imediato. A fisiopatologia envolve a entrada de ar na cavidade pleural sem saída, levando ao acúmulo progressivo de pressão que colapsa o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino, comprime o pulmão contralateral e os grandes vasos, comprometendo o retorno venoso e o débito cardíaco. Os sinais clínicos incluem taquipneia, taquicardia, hipotensão, diminuição ou abolição do murmúrio vesicular e hipertimpanismo no lado afetado, além de assimetria torácica. A conduta de emergência é a descompressão imediata do tórax, que pode ser realizada por toracocentese de alívio (descompressão com agulha) no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular ou no quinto espaço intercostal na linha axilar média. Após a descompressão inicial, a drenagem torácica com selo d'água deve ser realizada. É vital que residentes reconheçam rapidamente este quadro para evitar atrasos no tratamento que podem ser fatais.
Os sinais incluem taquipneia, dispneia, taquicardia, hipotensão, desvio de traqueia (sinal tardio), ausência de murmúrio vesicular e hipertimpanismo à percussão no lado afetado, além de assimetria torácica. Turgência jugular pode ser difícil de observar em crianças.
A toracocentese de alívio (descompressão com agulha) é a medida inicial salvadora de vida no pneumotórax hipertensivo, pois reverte rapidamente a compressão das estruturas mediastinais e a instabilidade hemodinâmica, permitindo a ventilação adequada e restabelecendo a função cardíaca.
O choque obstrutivo por pneumotórax hipertensivo é caracterizado por sinais de obstrução ao retorno venoso e compressão cardíaca (hipotensão, taquicardia, abolição de MV e hipertimpanismo unilateral), enquanto o choque hipovolêmico predomina a perda volêmica sem sinais de compressão torácica e o choque distributivo tem vasodilatação.
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