UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Homem de 35 anos, operário da construção civil, é atendido no hospital após queda de andaime posicionado a aproximadamente seis metros do chão. Ao exame físico, apresenta lesões cortocontusas em face e hematoma em hemitórax esquerdo. Apresenta-se na sala de trauma agitado e dispneico, saturando a 94%, com pressão arterial = 100x40mmHg e frequência cardíaca = 115 bpm, com ritmo sinusal. Murmúrio vesicular encontra-se abolido e com hipertimpanismo à percussão em hemitórax esquerdo. Abdômen encontra-se flácido, indolor, sem descompressão dolorosa. Pelve e bacia estão estáveis. Membros inferiores sem alterações. O diagnóstico mais provável e a terapêutica necessária, respectivamente, são:
Hipotensão + Hipertimpanismo + MV abolido → Pneumotórax Hipertensivo → Drenagem imediata.
O pneumotórax hipertensivo é um diagnóstico clínico de emergência que causa choque obstrutivo; o tratamento não deve ser retardado por exames de imagem.
O pneumotórax hipertensivo ocorre quando o ar entra no espaço pleural através de um mecanismo de válvula unidirecional, impedindo sua saída. No trauma, isso geralmente decorre de lesões no parênquima pulmonar ou na parede torácica. É uma das causas de morte evitável no trauma que deve ser identificada no exame primário (ABCDE). O caso clínico descreve um paciente com trauma de tórax, agitação (hipóxia), hipotensão e sinais físicos típicos (hipertimpanismo e MV abolido). De acordo com o ATLS 10ª edição, a descompressão imediata com agulha (em adultos, preferencialmente no 5º espaço intercostal, linha axilar média) ou descompressão digital deve ser seguida pela inserção de um dreno de tórax calibroso conectado a um sistema de selo d'água.
Os sinais clássicos incluem desconforto respiratório grave, taquicardia, hipotensão (choque obstrutivo), desvio da traqueia para o lado contralateral (sinal tardio), ausência ou diminuição importante do murmúrio vesicular no lado afetado e hipertimpanismo à percussão. A turgência jugular também pode estar presente devido à restrição do retorno venoso.
A descompressão é uma medida de emergência para converter um pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, podendo ser feita por agulha (toracocentese) ou digital (toracostomia). A drenagem torácica em selo d'água é o tratamento definitivo, realizado no 5º espaço intercostal entre a linha axilar anterior e média, garantindo a reexpansão pulmonar sustentada.
A pressão intrapleural positiva acumulada empurra o mediastino para o lado oposto, causando a angulação e compressão das veias cavas. Isso reduz drasticamente o retorno venoso para o coração direito (pré-carga), levando à queda do débito cardíaco e choque obstrutivo, que pode evoluir rapidamente para parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso (AESP).
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