SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Um homem de 64 anos sofre queda do telhado enquanto realizava um conserto elétrico na sua casa. Uma ambulância foi acionada e o paciente levado para um centro de trauma. O paciente referia dor torácica à direita, na projeção de escoriações da pele. Ao exame, estava com estado geral comprometido, cianótico, fácies de dor, dispneico, sudoreico, hipotenso, com sensação de crepitação subcutânea torácica e ruídos abolidos em hemotórax direito. O que o emergentista deve fazer, nesse momento?
Pneumotórax hipertensivo: dispneia, hipotensão, ruídos abolidos, crepitação → descompressão com agulha + dreno de tórax.
O pneumotórax hipertensivo é uma emergência com risco de vida, caracterizado por acúmulo de ar na cavidade pleural que causa desvio mediastinal, comprometendo o retorno venoso e a ventilação. O diagnóstico é clínico e a conduta imediata é a descompressão com agulha, seguida da inserção de um dreno torácico para alívio definitivo.
O trauma torácico é uma causa comum de morbimortalidade em pacientes traumatizados, e o pneumotórax hipertensivo representa uma das emergências mais críticas. Esta condição ocorre quando o ar entra na cavidade pleural durante a inspiração, mas não consegue sair durante a expiração, levando a um acúmulo progressivo de ar sob pressão. Essa pressão comprime o pulmão ipsilateral, empurra o mediastino para o lado oposto, o que compromete o retorno venoso ao coração e a função cardíaca, resultando em choque obstrutivo. O diagnóstico do pneumotórax hipertensivo é eminentemente clínico, baseado em sinais como dispneia progressiva, hipotensão, taquicardia, desvio da traqueia, distensão das veias jugulares e ausência de murmúrio vesicular no lado afetado. A crepitação subcutânea pode indicar extravasamento de ar para os tecidos moles. A radiografia de tórax e a tomografia são exames confirmatórios, mas não devem atrasar a intervenção. A conduta inicial e salvadora de vida é a descompressão torácica imediata por agulha, geralmente no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular, para liberar o ar sob pressão. Após a descompressão, um dreno torácico em selo d'água deve ser inserido para permitir a drenagem contínua do ar e a reexpansão pulmonar. Residentes devem estar aptos a reconhecer e tratar prontamente esta condição para salvar vidas.
Os sinais clássicos incluem dispneia intensa, dor torácica, taquicardia, hipotensão, desvio da traqueia para o lado oposto, distensão das veias do pescoço, ausência de murmúrio vesicular no lado afetado e hiper-ressonância à percussão.
A conduta imediata é a descompressão torácica por agulha, inserindo um cateter de grosso calibre no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular (ou 4º/5º espaço na linha axilar média) no lado afetado. Isso converte o pneumotórax hipertensivo em simples, seguido pela inserção de um dreno torácico em selo d'água.
É uma emergência porque o ar sob pressão na cavidade pleural comprime o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino e grandes vasos, reduzindo o retorno venoso ao coração e comprometendo gravemente o débito cardíaco, levando a choque obstrutivo e parada cardiorrespiratória.
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