AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2023
J.P.S., feminino, 27 anos, IMC 18, vítima de queda de moto, foi transferido do PS de uma pequena cidade para a UTI do serviço de referência. O paciente chega em uso de vasopressor em acesso periférico. Prontamente, o residente garante um acesso venoso central em jugular D. Tempo depois, o paciente evolui com dispneia e hipossaturação. Sobre a provável intercorrência e patologia, assinale a alternativa CORRETA:
Descompressão torácica de alívio = 5º EIC, linha axilar média (ou 2º EIC, linha hemiclavicular).
A descompressão torácica de alívio para pneumotórax hipertensivo pode ser realizada no 5º espaço intercostal, na linha axilar média, ou no 2º espaço intercostal, na linha hemiclavicular. A complicação de pneumotórax é comum após a inserção de acesso venoso central, especialmente em jugular, e deve ser prontamente reconhecida por dispneia e hipossaturação.
O pneumotórax é a presença de ar no espaço pleural, que pode ser espontâneo, traumático ou iatrogênico. O pneumotórax hipertensivo é uma emergência médica que ocorre quando o ar entra no espaço pleural durante a inspiração, mas não consegue sair durante a expiração, levando a um acúmulo progressivo de ar sob pressão. Essa pressão comprime o pulmão ipsilateral, desvia o mediastino para o lado contralateral, comprometendo o retorno venoso e a função cardíaca, resultando em choque obstrutivo. A inserção de acesso venoso central, especialmente em veia jugular ou subclávia, é uma causa comum de pneumotórax iatrogênico. A suspeita deve ser alta em pacientes que desenvolvem dispneia, taquicardia, hipotensão e hipoxemia após o procedimento. Ao exame físico, observa-se diminuição ou abolição do murmúrio vesicular, hiperressonância à percussão e desvio da traqueia para o lado contralateral em casos de pneumotórax hipertensivo. O tratamento do pneumotórax hipertensivo é uma descompressão torácica de alívio imediata, que pode ser realizada com uma agulha calibrosa no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou no 5º espaço intercostal na linha axilar média. Após a descompressão, um dreno torácico deve ser inserido para garantir a remoção contínua do ar e a reexpansão pulmonar. A confirmação diagnóstica por imagem (radiografia de tórax ou ultrassom) pode ser feita após a estabilização do paciente, mas não deve atrasar a intervenção de emergência.
Os locais recomendados são o 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular ou o 5º espaço intercostal na linha axilar média. Ambos visam liberar o ar sob pressão.
Ao exame físico, espera-se encontrar diminuição ou abolição do murmúrio vesicular no lado afetado, hiperressonância ou timpanismo à percussão, e diminuição da expansibilidade torácica.
Não, em situações de emergência e suspeita de pneumotórax hipertensivo, o diagnóstico é clínico e a descompressão deve ser imediata, sem aguardar exames de imagem que atrasariam a conduta salvadora. A radiografia de tórax pode confirmar, mas não deve atrasar a intervenção.
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